Ciclos de crescimento económico

  • Os ciclos económicos são flutuações do produto, do rendimento e do emprego nacionais totais, com uma duração habitual de 2 a 10 anos, caracterizada pela expansão ou contracção generalizadas na maioria dos sectores da economia.
    Samuelson & Nordhaus
Para Joseph Schumpeter a razão para as economias saírem do seu estado de equilíbrio é a inovação tecnológica, pois em resultado desta os recursos deverão ser afectos às novas actividades e desinvestidos das actividades ultrapassadas, num processo que denominou de destruição criadora.

A imagem seguinte - criada para os EUA - mostra que as tecnologias demoram cada vez menos tempo até serem objecto de consumo por uma larga percentagem das famílias.

Na imagem abaixo representam-se os ciclos de Kondratieff, estimados para os Estados Unidos (a azul) e a evolução do PIB (a vermelho).

Fonte da imagem: http://pt.scribd.com/doc/20345280/CICLOS-DE-KONDRATIEFF

Provavelmente a economia não apresenta a regularidade sugerida pelos teóricos dos ciclos económicos, mas a observação dos ciclos económicos é uma ferramenta fundamental da análise económica. Abaixo sintetiza-se a evolução da economia americana de 1920 a 2005.



Distinguem-se num ciclo económico:

- Recessão é um período contínuo de declínio do produto (Contracção), do rendimento e emprego totais, normalmente perdurando 6 meses a 1 ano e caracterizado pelas contracções alargadas a muitos sectores da economia;

- Depressão ou Contracção é uma recessão importante, tanto na intensidade como na duração;

- Expansão é a fase ascendente da Baixa até ao Pico. Ocorre quando o crescimento ultrapassa a tendência;

- Recuperação ou Retoma ocorre igualmente na fase ascendente (Expansão), mas o crescimento fica abaixo da tendência;

- Pico ou Boom, ponto máximo do ciclo, marca o final da expansão e o início da recessão;

- Baixa ou Trough, ponto mínimo do ciclo, marca o final da recessão e o início da expansão;

- Ciclo económico completo é o período entre dois pontos de viragem superiores ou inferiores (Boom ou Trough) consecutivos.

Algumas das características habituais de uma recessão podem apontar-se aos seguintes níveis:

Consumo e produção
As compras dos consumidores reduzem-se acentuadamente, enquanto que as existências em armazém aumentam inesperadamente. As empresas reagem cortando a produção, e o PIB real cai. Pouco depois o investimento das empresas em edifícios fabris e equipamentos também se reduz acentuadamente.

Emprego
A procura de trabalhadores cai: redução de horários, seguida de dispensas temporárias e de maior desemprego.

Inflação
Com a redução do consumo a inflação abranda. É pouco provável a redução de salários e do preço dos serviços mas tendem a aumentar menos rapidamente nos períodos de retracção económica.

Lucros
Os lucros das empresas reduzem-se acentuadamente. Numa antecipação, as cotações das acções normalmente entram em queda quando os investidores sentem o cheiro de uma retracção económica. Contudo, devido à redução da procura de crédito, as taxas de juro geralmente também diminuem durante as recessões.

As expansões são as imagens simétricas das recessões, em que cada um dos factores acima descritos funciona no sentido inverso.

Crise, recessão e depressão são conceitos que importa distinguir.
Crise é o momento em que o ciclo de crescimento se inverte, podendo iniciar-se uma fase de recessão.

Recessão é um período contínuo de declínio do produto real.

Recessão técnica é um período contínuo (de dois trimestres) de declínio do produto real.

Depressão é uma recessão grave (profunda e prolongada).

Com imaginação é possível traçar uns ciclos dentro de outros, mas ficaremos apenas com as suas designações e durações aproximadas.

Utilizando dados do Gapminder - GDP/capita (US$, inflation-adjusted) -, o Gráfico abaixo ilustra bem que o PIB per capita português, embora vá crescendo, vai permitindo que muitos dos seus parceiros comunitários se distanciem cada vez mais:

Continuando a utilizar os mesmos dados, abaixo se evidencia o comportamento da economia portuguesa a longo prazo, utilizando uma recta de tendência.

A recta de tendência do Excel mostra-nos uma recta de regressão do tipo y = a + bx
Utilizando essa recta de regressão podemos calcular os valores estimados do PIB per capita.
Calculando a diferença percentual entre os valores observados e os estimados poderemos concluir se os ciclos das economias se apresentam sincronizadas, como no exemplo entre Portugal e Espanha...
... ou dessincronizadas, como no exemplo entre a Alemanha e o Reino Unido:
Estes resultados podem ser conferidos no estudo de Alexandra Ferreira Lopes.

1. Descreve a as características habituais da fase de expansão do ciclo económico, nos seguinte aspectos:
a) Consumo e produção;
b) Emprego;
c) Inflação;
d) Lucros.

2. Identifica a designação e duração dos ciclo económicos mais comummente referidos.

3. Representa num gráfico a evolução do PIB per capita português e assinale no mesmo alguns acontecimentos da história económica. Backup

4. Escreve cerca de 50 palavras sobre a história de uma tecnologia à tua escolha.


Daqui para baixo utilize os dados do indicadot GDP/capita (US$, inflation-adjusted), em http://www.gapminder.org/data/
5. Confere a sincronização cíclica entre Portugal e Espanha. (FICHEIRO DE AJUDA)


6. Confere a dessincronização entre a Alemanha e o Reino Unido, realizando os cálculos descritos na questão anterior.

7. Investiga a sincronização entre as seguintes economias:
a) as atribuídas ao seu blogue; e
b) as atribuídas ao blogue seguinte (linha abaixo).

A taxa de desemprego estimada foi 13,1% - 3.º Trimestre de 2014

  • A taxa de desemprego estimada para o 3º trimestre de 2014 foi de 13,1%. Este valor é inferior em 0,8 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e em 2,4 p.p. ao do trimestre homólogo de 2013.
    A população desempregada foi de 688,9 mil pessoas, o que representa uma diminuição trimestral de 5,5% e uma diminuição homóloga de 16,0% (menos 40,0 mil pessoas e menos 131,0 mil pessoas, respetivamente).
    A população empregada foi de 4 565,1 mil pessoas, o que corresponde a um aumento trimestral de 1,1% (mais 50,5 mil pessoas) e homólogo de 2,1% (mais 95,7 mil pessoas).
    A taxa de atividade da população em idade ativa situou-se em 59,2%, mais 0,2 p.p. do que no trimestre anterior e menos 0,2 p.p. do que no trimestre homólogo.
    Estatísticas do Emprego, Destaque do INE, 3º trimestre de 2014
A Taxa de Desemprego é a percentagem de desempregados entre a População Activa.

Distingue-se a Taxa de Desemprego em sentido lato da Taxa de Desemprego em sentido restrito em função do conceito de desempregado:

Considera-se desempregado em sentido lato, o individuo com idade mínima de 15 anos, que não se encontra a frequentar o ensino obrigatório, e que reúne simultaneamente nas seguintes situações:
- está sem trabalho;
- está disponível para trabalhar.

Considera-se desempregado em sentido restrito, o individuo com idade mínima de 15 anos, que não se encontra a frequentar o ensino obrigatório, e que reúne simultaneamente nas seguintes situações:
- está sem trabalho;
- está disponível para trabalhar;
- procura trabalho, isto é, tenha realizado diligências para encontrar um emprego, nos últimos 30 dias.

A Taxa de Actividade é a percentagem da População Activa relativamente à População Total (menor que residente).
A População Activa inclui os maiores de 15 anos que, no período de referência, constituem a mão-de-obra disponível para a produção de bens e serviços que entram no circuito económico, quer os que estejam empregados, quer os que estejam desempregados à procura de emprego.
Os desencorajados já não procuram emprego, incluindo-se na população inactiva, bem como os que se encontram a cumprir o serviço militar obrigatório, crianças, reformados e inválidos.

O Gráfico abaixo apresenta os valores destas variáveis para 2010.



1. Com base na imagem acima, calcula a Taxa de Actividade.

2. Com base na imagem acima, calcula a Taxa de Desemprego.

3. Interpreta a Taxa de Actividade calculada em 1..

4. Interpreta a Taxa de Desemprego calculada em 2..

5. Compara a Taxa de Desemprego que calculaste para o 4º Trimestre de de 2010 com a referida no "Destaque do INE" para 0 3º Trimestre de 2014.
Utiliza o "Destaque do INE" para:
a) Indicar as duas regiões do país com maiores Taxas de Desemprego;
b) Comente - observando a imagem na p. 6 do "Destaque" - a tendência dos empregados para continuarem empregados, dos desempregados para continuarem desempregados, e dos inactivos para continuarem inactivos.

6. Constrói um gráfico a partir dos dados no PORDATA, que evidencie as diferenças na Taxa de Actividade entre os géneros (F/M) e entre Portugal e a União Europeia. Publica-o no blogue e interpreta-o. Preview

7. Constrói um gráfico a partir dos dados no PORDATA, que evidencie que a Taxa de Desemprego afecta de forma diferenciada os diversos grupos etários. Publica-o no blogue e interpreta-o. Preview

8. Constrói um gráfico a partir dos dados no PORDATA, que evidencie que a Taxa de Desemprego afecta de forma diferenciada em função do nível de escolaridade concluída. Publica-o no blogue e interpreta-o. Preview

9. Constrói a partir da população desempregada por nível de escolaridade completo - Masculino e Feminino um gráfico que evidencie como a Taxa de Desemprego varia com o género (M/F) e com a o nível de escolaridade. Publica-o no blogue e interpreta-o. Preview

Lei de Engel

LEI DE ENGEL
Quanto menor for o rendimento de uma família, maior tenderá a ser a proporção dos seus rendimentos gasta em alimentação e menor será a proporção dos rendimentos gasta em cultura, lazer, e gastos diversos.

Uma família que viva com o salário mínimo gastará a maior parte do rendimento em alimentação, e pouco restará depois de pagar a habitação, provavelmente para vestuário ou calçado barato. Bens de luxo serão inexistentes.

Quando o rendimento sobe, as famílias naturalmente gastarão mais dinheiro em todas as rubricas, mas observando a estrutura do consumo – a importância percentual de cada rubrica – verifica-se que a alimentação perde importância, enquanto os gastos diversos ganham maior expressão. Por exemplo, ganhando mais poderão sair mais vezes, ir ao cinema e jantar fora. A refeição no restaurante não é alimentação, porque também se paga o serviço, e portanto seria incluída em gastos diversos.

O Gráfico abaixo mostra a proporção das despesas de consumo final das famílias por tipo de bens e serviços, de 1995 a 2018. Indicando maior poder de compra o coeficiente das despesas em alimentação, bebidas e tabaco caiu 1,2 pp de 1995 a 2000 (19,6%-18,4%=1,2pp). A crise financeira de 2007/08 explicará parte do empobrecimento dos portugueses, que se traduz na subida deste coeficiente em 2,5 pp de 2009 a 2014 (20,4% -17,9%=2,5pp).



Considera as despesas de consumo de quatro famílias, os Alves, os Brito, os Cunha e os Damásio:
1. Calcula o orçamento de cada uma das famílias.
NOTA: Utiliza o ficheiro do Excel, e no final posta no blogue o link de partilha do ficheiro.

2. Determina os coeficientes orçamentais das quatro famílias para cada classe de despesa. (No ficheiro)

3. Representa graficamente as despesas percentuais das famílias nas diversas rubricas de despesa. (No ficheiro)

4. Verifica como a interpretação do quadro te conduz à Lei de Engel.

5. Partindo das Despesas de consumo final das famílias por tipo de bens e serviços (Ficheiro de ajuda), constrói um gráfico semelhante ao acima apresentado, mas apenas com o período posterior a 2000. * PREVIEW2000-2020

6. Analisa o gráfico que construíste no ponto anterior.

7. Refere como o consumo varia com os seguintes factores extra-económicos:
a) Estrutura etária dos agregados familiares;
b) Estilos de vida (v.g. fast-food, consumos lights, desportos radicais, consumos com consciência ambiental);
c) Moda;
d) Publicidade;
e) Cultura.

Sabe bem pagar tão pouco de impostos

No último post provavelmente estranhaste a ideia de Jean-Claude Trichet, de um Ministério das Finanças Europeu. Felizmente já ouviste falar do caso "Pingo Doce" para compreender que a os países da União Monetária não poderão ter políticas fiscais muito diferenciadas, sob o risco de todas as empresas estudarem engenharia financeira para verificarem onde podem pagar menos.

Este "planeamento fiscal" é particularmente injusto porque o factor trabalho não dispõe da mesma opção. Acresce que caiu a pintura a Soares dos Santos que para promover o Pingo Doce andava a fazer publicidade dando ao país lições de patriotismo. Por isso o assunto espalhou-se pelas redes sociais.

A imprensa económica não lhe critica a racionalidade das decisões, porque grande parte das empresas que estão cotadas no principal índice da Euronext Lisboa fazem o mesmo.

1. Em entrevista ao EXPRESSO, Soares dos Santos justificou por que motivos se sentiu injustamente atacado.
Apresenta dois.

2. Apesar de a decisão de Soares dos Santos ser economicamente racional, ser legal, e corresponder rigorosamente ao comportamento de outros grupos grupos económicos, observa que continua ser moralmente criticável.

3. "O erro do Brasil só foi estudado em 2010 porque o trauma foi muito grande. Por isso recorri a um professor português do MIT e do INSEAD..."
Justifica a propensão comum à generalidade dos empresários de recorrem a economistas depois de terem passado por algum "susto".

4. Extrai da entrevista três motivos que poderão levar os empresários portugueses a preferir pagar impostos na Holanda.

5. Verifica que Soares dos Santos procura abstrair-se de questões emocionais, justificando a sua responsabilidade "profissional".

6. Se a generalidade dos empresários portugueses não acreditasse na hipótese de Portugal no Euro, e deslocalizasse as suas actividades, que consequências imediatas teria essa atitude sobre a economia portuguesa?
Em que medida a nova política do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, de "fazer tudo para salvar o euro" alterou o comportamento dos investidores para atitudes mais favoráveis à economia portuguesa?

Consumerismo

  • Se a população mundial tivesse a produtividade dos suíços, os hábitos de consumo dos chineses, os instintos igualitários dos suecos, e a disciplina social dos japoneses, o planeta poderia sustentar muitas vezes a população mundial, sem que ninguém tivesse que se privar de nada”.
    Lester Thurow, in Para além dos limites
    ou Backup
  • Se o resto do mundo vivesse - e consumisse - como os europeus, seriam necessários os recursos de mais três planetas Terra! Ler mais
DIREITOS DO CONSUMIDOR
  • DIREITO À PROTECÇÃO DA SAÚDE E SEGURANÇA - Responsabilidade directa do produtor perante o consumidor, pela reparação ou substituição de coisa defeituosa
  • DIREITO À QUALIDADE DOS BENS E SERVIÇOS - Os bens e serviços destinados ao consumo devem ser aptos a satisfazer os fins a que se destinam e a produzir os efeitos que se lhes atribuem, segundo as normas legalmente estabelecidas
  • DIREITO À PREVENÇÃO E À REPARAÇÃO DE DANOS - O consumidor tem direito à indemnização dos danos patrimoniais e não patrimoniais resultantes do fornecimento de bens ou prestações de serviços defeituosos
  • DIREITO À FORMAÇÃO E À EDUCAÇÃO PARA O CONSUMO
  • DIREITO À INFORMAÇÃO PARA O CONSUMO
  • DIREITO À REPRESENTAÇÃO E CONSULTA
  • DIREITO À PROTECÇÃO JURÍDICA E A UMA JUSTIÇA ACESSÍVEL E PRONTA
DEVERES DO CONSUMIDOR
  • DEVER DE CONSCIÊNCIA CRÍTICA - Questionar, emitir opiniões, tomar atitudes
  • DEVER DE AGIR - Combater a passividade, ser capaz de intervenção
  • DEVER DE PREOCUPAÇÃO SOCIAL - Ter consciência das consequências das nossas opções de consumo, reconhecer grupos desfavorecidos
  • DEVER DE CONSCIÊNCIA AMBIENTAL - Compreender as consequências ambientais do consumo e a responsabilidade pessoal e colectiva na conservação dos recursos existentes
  • DEVER DE SOLIDARIEDADE - Ser solidário com os outros, compreender o mundo numa perspectiva global e interligada
    Decreto-Lei nº 67/2003 de 6 de Abril.


Sites de Defesa do Consumidor e de Reclamações online
1. Consultando o link completa dois dos tópicos "Não é fácil, ser consumidor!" (p. 7)

2. A DECO concebeu a apresentação que tens estado a ler para promover a Educação do Consumidor e práticas consumeristas.
Refere dois objectivos da Educação do Consumidor. (p. 15)

3. “Até à data, e no geral, o homem actuou no seu ambiente como um parasita, tomando o que deseja com pouca atenção pela saúde do seu hospedeiro, isto é, do sistema de sustentação da sua vida.” Hutchison (2000), citado em Consumo e Ambiente
Distingue o caminho Tecnozóico do Ecozóico, e refere a importância das tecnologias limpas para salvar o Planeta da degradação do ambiente e das alterações climáticas.

4. Verifica que o consumo insustentável referido na questão anterior é explicado não só pela Economia, mas também pela Psicologia ou pela Sociologia entre outras.

5. Refere como o consumismo é responsável pela exclusão do acesso de grande parte da população aos bens de consumo.

6. Comenta dois direitos do consumidor que te pareçam frequentemente obstruídos.

7. Será que frequentemente os jovens transmitem às suas famílias comportamentos de consumo mais consistentes com os seus deveres enquanto consumidores? Justifica.

8. Indica os quatro erres do Rap do Eco Consumidor. * Backup

9. Do teu ponto de vista o que é mais importante para consumir responsavelmente?
A - Conhecer a Lei do Consumidor
B - Ter valores compatíveis com um consumo responsável
Justifica.

Sociedade de Consumo

  • "O mal do consumismo não está no consumo, mas no vazio que ele procura preencher. Um vazio de humanidade, de boa cultura e de melhores referências."
    José Rafael Nascimento, in Citador
  • "O enfrentamento do consumismo, caracterizado como doença na sua forma compulsiva, deve ser visto como um desafio educacional importante para a limitação do excesso de endividamento vivenciado atualmente por um número crescente de pessoas na nossa sociedade".
    Muller, Karina de Oliveira
1. Distingue consumo de consumismo lendo este texto.

2. Faz o exercício Produtos de “Ontem” e Produtos de “Hoje”.
Justifica duas das respostas.

3. Faz o exercício Caracterização da Sociedade de Consumo.
Justifica duas das respostas.

4. No Gráfico abaixo observam-se três conjuntos seleccionados de países pela penetração da Internet de Banda Larga:
  • 30% a 38% na Suiça, Dinamarca, França, Alemanha, Suécia, Bélgica e Reino Unido;
  • 19% a 23% na Espanha, Irlanda, Itália, Grécia e Portugal;
  • 3% em Cabo Verde, 1% na Índia, 0% na Indonésia, Irão, Angola e Moçambique.

Utilizando o gráfico,justifica a Internet de Banda Larga como bem de consumo indispensável ao desenvolvimento dos países.

5. Comenta uma das citações apresentadas no início deste post.

A heterogeneidade de situações de desenvolvimento

História de 200 países em 200 anos, vista em 4 minutos

Recursos em vídeo
Apresentações
Textos em PDF
I Parte
1. Destaque dois aspectos da apresentação Uma breve história da Economia Global desde 1800.
2. Destaque dois aspectos da apresentação Aspectos-chave do Desenvolvimento Global.
3. Destaque dois aspectos do texto Crescimento Económico e Desenvolvimento.
4. Lendo o último Relatório do PNUD, identifique:
a) as pessoas mais vulneráveis, a quê e porquê (p. 19);
b) os choques e ameaças ao desenvolvimento humano (p. 21);
c) as políticas para a redução da vulnerabilidade e o reforço da resiliência (p. 26);
d) outros dois aspectos que entenda interessantes.
5. “Um estudo da cadeia de valor do iPod da Apple conclui que a maioria dos postos de trabalho necessários se situavam na Ásia, enquanto o maior volume salarial é pago nos Estados Unidos.” (p. 115) Comenta.

Os últimos 200 anos mudaram o Mundo. Em 1803 o Reino Unido era o país com maior rendimento per capita – 2.744 dólares - e nenhum outro tinha esperança de vida superior a 40 anos.
A industrialização teve um maior impacto nos países europeus e nos Estados Unidos, que cresceram mais rapidamente e ficaram cada vez mais ricos.

Após o final da II GGM o crescimento é mais acelerado, destacando-se a recuperação Japão, seguido pouco mais tarde pela China e pela Índia.

Hoje todos os países têm esperança de vida acima dos 45 anos, ultrapassando os 80 em alguns. Como este é um número médio, uma esperança de vida baixa significa uma mortalidade infantil elevada nos países menos desenvolvidos.
E a diferença entre o rendimento per capita dos países mais pobres relativamente aos mais ricos é enorme... Actualmente o rendimento per capita no Qatar é 223 vezes superior ao registado na República Democrática do Congo, havendo uma grande diversidade de situações intermédias.


Portugal é geralmente apresentado como um um país em desenvolvimento, porque os seus indicadores económicos se encontram acima dos valores observados nos países do Sul, mas ainda estamos muito afastados dos países do Norte.

Vamos estudar esta diversidade de situações, tirando partido da organização da turma em grupos/blogues, cuja imagem conjunta, no final evidenciará a heterogeneidade de situações de desenvolvimento verificadas nos países desenvolvidos (DC - Developed Countries), países em (vias de) desenvolvimento (PED/PVD) e nos países menos desenvolvidos (LDC - Least Developed Countries).
Cada grupo de alunos/blogue, irá comparar um conjunto diferente de 8 países contrastantes, 4 países desenvolvidos e 4 países incluídos noutra categoria:

Alexandre & Ana
Países Desenvolvidos (Noruega, França, Finlândia e Japão)
NPI de 1ª Geração / Tigres Asiáticos (Hong – Kong, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan) – NPI significa Novos Países Industrializados

Bruno & Emanuel
Países Desenvolvidos (Suécia, Holanda, Noruega e Estados Unidos)
NIC (México, Brasil, Malásia e Turquia) – NIC também significa novos países industrializados, a sigla vem do inglês Newly Industrialized Countries, mas refere-se a um conjunto diferente de países, noutro contexto histórico

Daniel & Tiago
Países Desenvolvidos (Suíça, Alemanha, Suécia e Austrália)
Países Exportadores de Petróleo (Arábia Saudita, Irão, Emiratos Árabes Unidos e Kuwait) - PEP

Jorge & Onofre
Países Desenvolvidos (Suíça, Alemanha, Suécia e Austrália)
Países pejorativamente referidos na imprensa desde a Crise Financeira de 2008 (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Spain) - PIGS

Márcio, Rafael R & Miguel
Países Desenvolvidos (Islândia, Holanda, Reino Unido e Nova Zelândia)
PALOP (Cabo Verde, Guiné, Angola e Moçambique) - PALOP

Rafael L & Ifeanyi Ashala
Países Desenvolvidos (Bélgica, Reino Unido, Dinamarca e Canadá)
Países em Vias de Desenvolvimento (Argentina, Chile, Portugal e Grécia) - PVD

Nelson
Países Desenvolvidos (Luxemburgo, Áustria, França e Estados Unidos)
IDH Médio (Filipinas, Botsuana, Mongólia, e Egipto)

Pedro Pais & André Santos
Países Desenvolvidos (Holanda, Irlanda, Alemanha e Japão)
BRIICS (África do Sul, Rússia, Índia e China) - BRIICS (Brasil, Rússia, Índia, Indonésia, China e África do Sul) http://www.oecd.org/dataoecd/35/34/42324460.pdf

Serão utilizados preferencialmente nesta tarefa os dois primeiros recursos:
- Google Public Data Explorer;
- Gapminder;
- Recomenda-se que visite os Indicadores Online caso sinta necessidade de recursos adicionais.

II Parte
Tarefa: Comparar os países indicados...

1. ... construindo no mínimo 3 Gráficos com o Google Public Data Explorer, tendo o cuidado de seleccionar indicadores económicos, demográficos e sócio-culturais. Cada gráfico deverá ser incorporado no blogue e acompanhado de um comentário breve.

2. ... criando no mínimo mais 3 Gráficos com o Gapminder World. Indicar no blogue o respectivo link e realizar um comentário breve a cada gráfico.

3. ... utilizando a funcionalidade DATA do Gapminder, importar ficheiros do Excel para produzir neste software, no mínimo 3 outros Gráficos. Gravar as imagens no Paint. Produzir um comentário breve a cada gráfico.

4. ... criando no mínimo mais 3 Gráficos com o UNdata. Publicar no blogue a respectiva imagem e realizar um comentário breve a cada gráfico.
Exemplo (login Gmail)

5. ... mencionando para os dois grupos de países a evolução do IDH assinalada no Trends http://hdr.undp.org/en/data/trends/

6. ... tendo em consideração o conjunto dos dados reunidos nos pontos anteriores, e os comentários parcelares. Sintetize num comentário global as conclusões a que chegou. Enriqueça o seu comentário referindo características dos países que trabalhou (utilizando os links neste post e/ou pesquisa).

EXEMPLO: Em todos os países a Taxa de Fertilidade tem caído nos últimos 50 anos. Nos Estados Unidos o indicador encontra-se em 2,1, número que constitui referência na análise do mesmo. Significa que mantendo-se os níveis de fecundidade, a sociedade se encontra exactamente a substituir a população que vai morrendo. Uma Taxa de Fertilidade superior (inferior) a 2,1 significa crescimento (redução) da população. Dos países seleccionados no gráfico abaixo quase todos apresentam uma taxa de fertilidade inferior ao nível de renovação das gerações, constituindo a Índia a única excepção. Note-se que em 1960 o Brasil, a Índia e a China observavam taxas de fertilidade muito superiores às registadas nos países desenvolvidos.
Portugal, Itália, Grécia e Espanha encontram-se neste indicador muito próximos da Alemanha. Se nos PIGS se pode a associar a reduzida fertilidade a factores estruturais que persistem em reduzir as suas expectativas de crescimento e desenvolvimento, já relativamente à Alemanha se poderá observar que a sua pujança económica não se traduz no crescimento da população.

Dois conceitos que frequentemente se confundem: Taxa de Fertilidade e Taxa de Fecundidade

A Taxa de Fertilidade (nascidos/mulher) representa o número de crianças que nasceriam às mulheres se elas viverem até ao fim de seus anos férteis tendo filhos de acordo com as actuais taxas específicas de fecundidade por idade.

A Taxa de Fecundidade Geral representa o número de nados-vivos observado durante um determinado período de tempo, normalmente um ano civil, referido ao efectivo médio de mulheres em idade fértil (entre os 15 e os 49 anos) desse período (habitualmente expressa em número de nados-vivos por 1000 mulheres em idade fértil), (metainformação – INE).

A relatividade dos padrões de consumo

Somos hoje atraídos por uma comida agradável à vista, de fácil acesso e fácil deglutição face à qual os indivíduos despendem de menor esforço: estendemos a mão e a comida aparece. Esta comida hipercalórica é sedutora mas provoca o terror de engordar. Daí as promessas de saúde que remetem para alguma alimentação especial que custa muito mais dinheiro e que, regra geral, é apoiada pelos mesmas empresas que promovem a alimentação indesejável.

Autobiografia de uma rapariga gorda

1. Mostre com base na autobiografia acima que a alimentação nas sociedades ocidentais deixou de ser um problema económico para se tornar um problema de saúde pública.

2. Verifique no mapa interactivo que o consumo de gordura é muito diferenciado no Mundo. Compare duas zonas contrastantes à sua escolha.

3. Verifique que Portugal é habitualmente associado à dieta mais saudável do Mundo a dieta mediterrânica. Apresente três características desta dieta.

4. Caracterize o fast food (ou junk food).

Poupar Energia

Um aspecto ao qual estamos particularmente desatentos na Sociedade de Consumo é o excessivo gasto de energia.

1. Calcule a sua pegada carbónica na Calculadora Carbono. No final faça download do "plano de redução" e comente as sugestões indicadas.

2. Indique outras coisas que poderá fazer para poupar energia, consultando os sites abaixo indicados.

3. Mostre que grande parte do consumo energético excessivo é cultural.

4. Comente o efeito sobre o consumo de energia, provocado pelo desconhecimento na utilização dos equipamentos.

5. Testa os teus conhecimentos sobre o como a poupança de energia pode minimizar as alterações climáticas. Selecciona do site deste quiz três dicas de poupança que já façam parte dos teus hábitos.



Calculadora Carbono

Portal do Consumidor

Economia de Combustível nos Veículos Ligeiros (Clique em Consulte as Dicas)

Como poupar energia desligando os equipamentos (Ver também Eficiência Energética)

Gráfico da Dívida na Eurozona: Quem deve a quem?

O círculo mostra a dívida externa bruta, ou ao estrangeiro, de alguns dos principais intervenientes na Zona do Euro, bem como outras economias do Mundo Global. As setas mostram quanto dinheiro é devido por cada país aos bancos de outras nações. A dimensão das setas do devedor para o credor é proporcional ao dinheiro devido a partir do final de Junho de 2011. As cores atribuídas aos países são um guia para a quantidade de problemas no seio de cada economia.

A Europa está lutando para encontrar uma saída para a crise da Zona do Euro entre enormes dívidas, paragens do crescimento e o nervosismo generalizado dos mercados. Depois da Grécia, Irlanda e Portugal, a Itália será o próximo país forçado a procurar um bail-out.

Mas, com sistemas financeiros globais tão interligados, este não é apenas um problema da Zona do Euro e as repercussões estendem-se além das suas fronteiras.

Embora os empréstimos entre as nações apresentem poucos problema durante os anos de boom, quando um país não consegue solver as suas dívidas, os bancos estrangeiros e instituições financeiras que emprestaram dinheiro ficam expostos a perdas. Isso não só poderia desestabilizar o país de origem dos bancos, mas poderia, por sua vez, espalhar problemas por todo o mundo.

Assim, no emaranhado de empréstimos inter-país, que deve a quem? clique num país no círculo para descobrir o que devem aos bancos em outros países, bem como para descobrir a sua dívida externa total, o seu PIB, a dívida externa por pessoa, a dívida externa em percentagem do PIB e a dívida pública em percentagem do PIB.

1. Constrói uma tabela no Excel com os dados acima, partindo deste ficheiro.

2. Comparando o valor com PIB indicado para Portugal com o disponível no PORDATA, conclui quanto valem os triliões referidos neste exercício. Isto é, foi adoptada a norma americana ou a norma europeia. Justifica.

3. Comenta os dados verificando a possibilidade de algum preconceito contra os países latinos.

4. Apresenta uma noção de interdependência.

NOTA: Poderá obter uma grande diversidade de indicadores procurando em WolframAlfa.

Franchising

O franchising é um sistema de negócios que consiste na estreita colaboração entre uma empresa bem sucedida no mercado, detentora de um nome, marca, bem ou serviço, e que concede a um ou mais empresários individuais a exploração do seu produto, a utilização do seu know-how e da sua imagem, recebendo por isso uma contraprestação financeira, normalmente em função da facturação, designada por royalties.

1. Faz uma apresentação deste tema no GoogleDrive, utilizando O ABC do Franchising. e as FAQ's do site PTfranchising.com (Mínimo de 15 slides).
NOTAS: (1) Identifica o Grupo de Trabalho no primeiro slide e indica a Bibliografia/Webgrafia no último; (2) Coloca no teu blogue o link para a apresentação.

2. Aponta três características do franchising, partindo das Caraterísticas ideais do Franchisado, apontadas pela Flexi Solutions (Mais 3 slides).

3. Comenta dois aspectos do franchising em Portugal, visionando o vídeo O Perfil do Franchising em Portugal? (Mais 2 slides)

Exemplo

Circuitos de distribuição

Pontos a referir obrigatoriamente nesta tarefa:

  • O que é a distribuição?
  • O que é um circuito de distribuição?
  • Tipologia dos circuitos de distribuição (ultra-curto, curto e longo)
  • Algumas formas de distribuição / Métodos de vendas (venda directa, cibervenda, venda automática, venda por catálogo,..)
  • Tipos de distribuidores (grossistas, retalhistas,..)
  • Tipos de comércio: independente, associado e integrado (sucursais, franchising, grandes superfícies e grandes superfícies especializadas)


Quando se fala em Distribuição, a primeira tendência é pensar em distribuição física, isto é, transporte de mercadorias.

Quando falamos em Distribuição, podemos estar a referir-nos:
  • à distribuição física de produtos (um entre vários intervenientes num circuito de
    distribuição);
  • um sector de actividade (tradicionalmente designado por comércio);
  • uma componente da política de marketing de uma empresa produtora (que, a par de
    decisões como o tipo de produto, preço e comunicação, tem também que ponderar que
    circuitos de distribuição vai utilizar para chegar aos consumidores finais);
  • a estratégia de negócio do distribuidor
    Fonte: Vendas e Distribuição *** BACKUP


1. Utiliza o documento acima (só as pp. 13-28) e faz um PowerPoint sobre a Distribuição (mínimo de 15 slides).

2. Produz um segundo PowerPoint desenvolvendo As Características de um Bom Vendedor (mínimo de 5 slides, pp. 47-49).

3. Publica os links dos PowerPoints no teu blogue.

NOTAS:
1 - As apresentações devem ser escritas e arquivadas no Google Drive, sendo fácil fazer o link para o blogue com a função Partilhar.
2 - Também é possível fazer os PowerPoints no programa que já conheces, e importá-los posteriormente para o Google Drive, de modo que fiquem acessíveis na Internet.
3 - Como és estudante de Marketing, podes enriquecer as apresentações com outros tópicos relacionados, devendo indicar a Bibliografia/Webgrafia no final das mesmas.
4 - Outros recursos que valorizam a apresentação encontram-se no post Comércio – noção e tipos.

O conceito de Produtividade

"A produtividade não é tudo, mas, a longo prazo é quase tudo", Paul Krugman, 1990.

Aqui temos um bom exemplo de como frequentemente os jornais e a opinião pública se mobilizam por questões com interesse marginal - mais ou menos feriados - esquecendo a questão central.




1. O conceito de Produtividade apresenta duas variantes: Produtividade do Trabalho e Produtividade Total dos Factores. Distingue-as.

2. Como podemos melhorar a produtividade?

3. Que factores determinam a produtividade?

4. Compara a produtividade em Portugal com a dos 5 países onde é mais elevada e com a dos 5 onde é menor. (Utiliza o link do ponto seguinte.)

5. Constrói no Excel um gráfico ilustrando a Produtividade em Portugal relativamente à União Europeia a partir da Produtividade laboral por hora de trabalho (UE27=100). Comenta.
SUGESTÃO: Além de Portugal e da média da UE, selecciona ainda quatro países contrastantes.





6. Constrói e comenta um gráfico representando o valor da Produtividade do Trabalho por pessoa empregue (Índice 2015=100) (EuroStat help) na economia portuguesa comparativamente aos mesmos países da União Europeia.
Apesar dos valores da produtividade por pessoa empregada serem diferentes dos da produtividade por hora de trabalho, as conclusões são as mesmas?

7. Explicita a relação que se deve observar entre o salário e a produtividade marginal, quando um empresário decide contratar mais um trabalhador.



II


Constrói aqui uma apresentação com 5 slides, com as tuas dicas para melhorar a produtividade no trabalho. Cada slide deve apresentar uma dica, o link para o site inspirador e o teu próprio comentário, justificando o interesse da mesma. Valoriza-se a diversidade de fontes.

Reflexão sobre o funcionamento dos mecanismos de mercado

Uma forma de compreendemos o que se passa em Portugal consiste em estabelecer analogias com os processos de desenvolvimento verificados noutros países. O vídeo abaixo, apesar da sua linguagem demasiado popular, sugere alguns paralelismos entre a crise em Portugal e em Espanha. Visione o vídeo e reflicta sobre o funcionamento dos mecanismos de mercado (síntese abaixo).



- a liberalização do mercado do solo, que então passou a ser transaccionado sem entraves;

- a argumentação liberal no mercado da habitação: mais terrenos urbanizáveis / um negócio rentável / os investimentos multiplicam-se / constroem-se mais casas / ...e aumentando a oferta de casas baixarão os seus preços, ficando acessíveis aos jovens;

- a argumentação liberal no mercado de trabalho: reduzindo os direitos dos trabalhadores, os empresários contratarão mais funcionários, e assim reduz-se o desemprego;

- lei de Say: a oferta provoca a sua própria procura, e os preços das habitações disparam, mas os salários ficaram congelados;

- o papel da banca no financiamento da economia: os bancos baixaram as exigências para conceder crédito / os salários poderiam ser baixos que casas ficavam hipotecadas, e como se esperava que o seu valor subisse, pagar-se-iam a si mesmas;

- o negócio da banca é o financiamento: para aumentar os seus lucros os bancos alargam o financiamento à generalidade dos bens de consumo (electrodomésticos, automóveis, férias) / com um salário baixo a população vive a ilusão de que é rica à custa do endividamento;


Resumindo:

Não houve criação de riqueza que gerasse crescimento económico.

Simulou-se crescimento para este gerar riquezas, e este desenvolvimento só existia por causa das dívidas.

Este modelo não tinha futuro, porque os preços das moradias tinham subido tanto, que já muitas pessoas tinham sido obrigadas a regressar a cubículos aceitando hipotecas a 40 anos.

Quando em 2008 a banca internacional deixou de comprar a dívida espanhola, mais ninguém poderia emprestar dinheiro. O consumo caiu, as empresas despediram trabalhadores para reduzir os custos, e as famílias sem trabalho foram expulsas das suas casas por falta de cumprimento do contrato (inadimplência).

Descobriram que eram pobres porque nunca tinham efectivamente criado riqueza, mas vivido à sombra de uma dívida.


1. Reflicta sobre o funcionamento dos mecanismos de mercado e transponha para um breve comentário à economia portuguesa os factores explicativos que considerar adequados.

2. Baseando-se no vídeo acima, critique a metáfora da "Mão Invisível".

Cálculo do valor da Produção – PIB

O valor da produção de um determinado território económico – geralmente um país – durante determinado período de tempo – geralmente um ano - diz-se o respectivo produto interno. Se não for descontado o valor referente a amortizações constitui o produto interno bruto (PIB).

Como se calcula o PIB?

Somar o valor da produção de todas as empresas do território levaria ao VBP, Valor Bruto da Produção, um PIB sobreavaliado (demasiado alto), porque como a produção de umas empresas entra como input no processo produtivo de outras, os designados consumos intermédios estariam a ser contabilizados várias vezes. Nisto consiste o problema da múltipla contagem, que poderá ser evitado adoptando um de dois métodos:

- Método dos produtos finais

- Método dos valores acrescentados

No Método dos produtos finais o PIB é igual à soma da produção vendida aos consumidores finais. Note que cada bem só poderá ser vendido para consumo final uma vez!

Pelo Método dos valores acrescentados calcula-se o valor acrescentado de cada unidade produtiva subtraindo os Consumos Intermédios ao Valor das Vendas, isto é:

Valor Acrescentado = Valor das Vendas – Consumos Intermédios

O valor do PIB será então igual ao somatório dos VA’s da economia. Nota que a dedução dos consumos intermédios também resolve o problema da múltipla contagem, porque a produção só é contabilizada na fase do ciclo produtivo que a originou, isto é:

PIB = Valor bruto da produção – Consumo intermédio

Evidentemente que os dois métodos têm que dar o mesmo resultado, senão te enganares nas contas.

Exemplo:

Supõe uma economia extremamente simplificada com apenas três empresas:

- Produtor de milho, que a partir do nada produz e vende 100 unidades monetárias de milho ao Produtor de farinha;
- Produtor de farinha, que comprou as 100 um de milho e vendeu 150 um de farinha ao Produtor de broa de milho;
- Produtor de broa de milho, que comprou 150 um de farinha e vendeu 400 um de broas de milho ao consumidor final.

Seguem-se os tês deste exemplo, bem como o cálculo do PIB pelos dois métodos indicados.

O Quadro de Entradas e Saídas é um modo mais elegante de representação.


1. Define PIB.

2. Explicita o problema da múltipla contagem.

3. Explica como se calcula o PIB pelo método dos produtos finais.

4. Explica como se calcula o PIB pelo método dos valores acrescentados.

5. Utilizando estes tês, determina o valor do PIB pelos dois métodos estudados na economia composta pelas operações abaixo indicadas:
  • A Empresa Piscatória pescou peixe que vendeu à Empresa de Conservas pelo valor de 3.000 €
  • A Empresa de Conservas transformou o peixe anteriormente adquirido em conservas que vendeu ao Restaurante por 5.000 €; No processo de fabrico gastou energia que adquiriu à EDP por 500 €
  • O Restaurante vendeu o peixe ao público por 8.000 €; o Restaurante também consumiu energia da EDP no valor de 200 €
6. Constrói um quadro de entradas e saídas representando as mesmas operações, no mesmo ficheiro. (Alguns exemplos de QES encontram-se aqui)



Cálculo do PIB em Exames Nacionais

Produção de Bens e Serviços

Visione o vídeo Produção de Bens e Serviços.


1. A função de produção relaciona o volume da produção com as quantidades dos factores produtivos utilizados.
a) Identifica os factores produtivos referidos no vídeo;
b) Interpreta o ponto máximo atingido na produção quando apenas um dos factores produtivos varia.

2. Compara a combinação técnica dos factores produtivos nos EUA e na China, referindo a plantação de arroz. (NOTA: Utiliza os termos tecnologia “capital intensiva” e “trabalho intensiva”).

3. Seguindo o critério de Colin Clark, indica os ramos integrados no:
a) Sector Primário (extractivas);
b) Sector Secundário (transformadoras);
c) Sector Terciário (serviços).

4. Distingue trabalho especializado de trabalho não especializado.

5. Partindo das imagens do vídeo e/ou pesquisa na Internet explicita os seguintes conceitos de Capital:
a) Capital Financeiro;
b) Capital Técnico;
c) Capital Natural;
d) Capital Humano.

Os Agentes Económicos

Os aspectos fundamentais da actividade económica são o consumo, a produção, a distribuição, a repartição do rendimento e a acumulação do capital.

Consumo – Utilização dos bens na satisfação das necessidades

Produção – Transformação das matérias-primas em produtos acabados

Distribuição – Deslocação física dos produtos do local de produção para o local de consumo. Engloba três actividades: o armazenamento, o transporte e o comércio

Repartição do rendimento – Distribuição das remunerações pelos factores produtivos (trabalho e capital) utilizados na produção:

TRABALHO – os assalariados são remunerados através de salários

CAPITAL – os proprietários de imóveis cobram rendas

- os detentores de recursos financeiros auferem juros

- os empresários, se tiverem receitas superiores aos custos, obtêm lucros

Acumulação de capital – Através do processo de investimento, as empresas aumentam a capacidade produtiva instalada. Este processo é indispensável para a economia poder satisfazer as necessidades sempre crescentes da população, produzindo maior volume de bens.

Consumidores, ou empresas se forem tomados individualmente designam-se micro-sujeitos (a família Silva ou a empresa X). Em Economia não se estudam comportamentos individuais, agrupando-se todos os micro-sujeitos que têm a mesma função principal no mesmo macro-sujeito, ou agente económico.

Os agentes económicos que consideramos são:

Famílias

Empresas (não financeiras)

Administração Pública (ou Estado)

Instituições Financeiras (ou IF’s)

Resto do Mundo (ou RM)



1. Explicita os aspectos fundamentais da actividade económica.

2. Em Economia estudamos o comportamento dos agentes económicos, não de sujeitos económicos individuais. Porquê?

3. Nas sociedades rurais grande parte da produção destinava-se a auto-consumo. Nas sociedades modernas a distribuição e o Marketing têm uma importância crescente. Refere alguns aspectos que sustentem estas afirmações.

4. As Empresas (não financeiras) produzem bens comercializáveis, enquanto o Estado produz bens não comercializáveis. Justifica definindo bens comercializáveis.

5. Entre as diversas parcelas de rendimentos do capital, qual delas é mais incerta? Justifica.

6. Mostra, relativamente a três aspectos da actividade económica, que estes supõem a interacção entre os agentes económicos.

Assim qualquer um sabe governar

Os esforços exigidos e os que se anunciam não têm qualquer justificação. São uma teimosia de um monetarista que não se interessa pelas causas do défice, mas simplesmente pelo seu equilíbrio, para “recuperar a confiança dos mercados”, afirmação que por si só revela na actualidade, “uma completa falta de percepção do que se está a passar na economia internacional”.

Pedro Lains compara as propostas de Vítor Gaspar com o “ajustamento profundo” do Chile nos anos 1980, para concluir que a sua estratégia está “profundamente desactualizada e mesmo errada”.

Vítor Gaspar terá perdido a legitimidade para conduzir a política económica quando utilizou “uma carta fora do baralho: a contracção sem limites de salários - e mais aumento de impostos. Assim qualquer um sabe governar”.

Há alternativa? Claro que há. A primeira coisa a fazer é “começar por reconhecer as causas das coisas”.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=513309


1. Verifique que tomar medidas sem ter em consideração as causas dos fenómenos é revelador de uma atitude doutrinária.


2. Indique os pontos em comum apontados por Pedro Lains entre a actualidade de Portugal e o Chile dos anos 1980.


3. Justifique o título do artigo “Uma carta fora do baralho”.


4. Em Economia, antes de tomar decisões é necessário “começar por reconhecer as causas das coisas”. Mostre a necessidade de uma atitude científica para resolver os problemas económicos.


5. Critique dois aspectos da agenda de transformação estrutural da economia portuguesa referidos no artigo de Nicolau Santos, abaixo.




Correcção

Os Agentes Económicos e o Circuito Económico

No decorrer da actividade económica as unidades que nela intervêm estabelecem relações económicas entre si. Por exemplo, as unidades de produção (Empresas) vendem os seus bens e serviços às unidades de consumo (Famílias). Estes movimentos que se estabelecem entre as unidades económicas designam-se por fluxos. Se se encontrarem expressos em moeda, dizem-se fluxos monetários. Expressos noutra unidade dizem-se fluxos reais.

Podemos representar graficamente os fluxos que se estabelecem entre as diferentes unidades económicas. Esta representação designa-se por circuito económico. O circuito económico é, então, constituído pelas unidades económicas e pelos respectivos fluxos (reais ou monetários) que se estabelecem entre elas. Abaixo podemos observar os fluxos monetários mais importantes numa economia aberta:


NOTA: Algumas questões estão respondidas no post anterior, que aqui se continua.

1. Porque é que em Economia não estudamos micro-sujeitos, mas sim macro-sujeitos? * https://g.co/bard/share/275e737fd8ab * 1 FALHA ...
2. Indica a actividade principal dos diversos agentes económicos. * https://g.co/bard/share/68091fb3d433
3. Explica porque é que as empresas produzem bens comercializáveis, enquanto o Estado produz bens não comercializáveis. * https://g.co/bard/share/7e9233643961
4. Distingue fluxos reais de fluxos monetários. * https://g.co/bard/share/b765398d7c6a
5. A coluna referente aos “recursos principais” de cada agente económico traduz-se no gráfico em saídas ou entradas do mesmo? Justifique. * https://g.co/bard/share/10fffbecce55 X
6. A economia é aberta porque estão representadas exportações e importações. Justifique o sentido destas setas. * https://g.co/bard/share/5c1b70a5e7ef X
7. Indica o sentido do Fluxo de Compensação quando as exportações são menores que as importações. Justifica. * https://g.co/bard/share/1d25088c1952
8. Indica dois fluxos monetários que constituam: * https://g.co/bard/share/5089059154b6 * 1 FALHA
a) saída de FAMÍLIAS e entrada em IF's;
b) saída de FAMÍLIAS e entrada em EMPRESAS;
c) saída de FAMÍLIAS e entrada no ESTADO;
d) saída de EMPRESAS e entrada em IF's;
e) saída de EMPRESAS e entrada em FAMÍLIAS;
f) saída de EMPRESAS e entrada no ESTADO.

Balança de Pagamentos 2010 – 2013

Apresentação da Balança de Pagamentos



O ficheiro Estatísticas de balança de pagamentos, (Fonte: BPSTAT) apresenta uma folha onde deverá efectuar os seguintes cálculos:
a) Verificar que o saldo da Balança Corrente é igual á soma dos saldos da Balança Comercial, Balança de Serviços, Balança de Rendimentos e Transferências
b) Calcular para memória a soma dos saldos: Balança Corrente + Balança de Capital
c) Calcular em que percentagem os Serviços cobrem o défice da Balança Comercial
d) Calcular em que percentagem as Transferências cobrem o défice da Balança Comercial
e) Calcular em que percentagem os Serviços conjuntamente com as Transferências cobrem o défice da Balança Comercial

1. Preencha o ficheiro do Excel. Seleccione a área A1:H24 e copie-a para o Paint. Grave o ficheiro como imagem jpg personalizada e publique-a na sua mensagem. (Note que ficheiro inclui PREVIEW)

2. Indique a rubrica da Balança de Pagamentos que apresenta saldo mais desfavorável. Justifique.

3. Entre as rubricas da Balança Corrente, indique as que apresentam saldo favorável para a nossa economia. Justifique.

4. Curiosamente, a soma Balança Corrente + Balança de Capital + Balança Financeira dá simétrico de uma rubrica que encontra nos dados apresentados. Identifique-a e justifique.

5. Comente a evolução da cobertura do saldo da Balança Comercial pela Balança de Serviços de 2010 a 2013.

6. Previsivelmente em 2013 a Balança de Serviços cobrirá o défice da Balança Comercial numa percentagem superior à de 2012. Fundamente esta previsão utilizando os dados que calculou.

7. “As transferências não reflectem o desempenho da economia, porque dependem em grande medida de decisões políticas”. Comente, referindo o impacto da integração alemã sobre os fundos comunitários recebidos por Portugal.

8. Identifica os anos em que a economia portuguesa teve capacidade/necessidade de financiamento. Justifica.

Custo de Oportunidade

Na medida em que na realidade económica normal a dotação dos recursos (nomeadamente tempo e rendimento) é limitada, a sua aplicação implica a realização de escolhas entre várias opções alternativas. Por exemplo, uma ida ao teatro implica que, pelo menos simultaneamente, não possamos ir ao cinema, seja por via de uma restrição temporal ou monetária. Um outro exemplo pode ser o de um agente que dispõe de um rendimento de 1000 unidades monetárias. Com esse rendimento ele tem, por exemplo, a possibilidade de realizar uma viagem ou adquirir um automóvel, mas nunca as duas coisas. Neste caso, se fizer a viagem, o automóvel representará o seu custo de oportunidade. Se, em alternativa, adquirir o automóvel, será a viagem a representar o mesmo custo de oportunidade.
Ou seja, o agente económico é obrigado a prescindir de uma alternativa, tendo como custo a oportunidade de a realizar. Assim, a alternativa de que se abdicou representa o custo de oportunidade.
Ler mais na Infopédia
(...)

Resumindo. Quando o sujeito económico é forçado a escolher entre uma de duas alternativas, a melhor alternativa que abandonou representa o custo de oportunidade da alternativa que escolheu.

OU
O custo de oportunidade corresponde ao sacrifício associado à escolha/utilização de um recurso escasso que se traduz na perda da (melhor) alternativa abandonada.

Mais um exemplo: Imaginando que poderias escolher entre uma tarde nas aulas ou uma tarde na praia, ter escolhido vir à escola teve um custo de oportunidade relativamente elevado no caso de gostares de praia ;) Para quem não gosta de praia, nem lhe custa tanto passar a tarde na escola, pois neste caso o custo de oportunidade é relativamente baixo.

Em termos teóricos, o conceito de custo de oportunidade pode ser ilustrado pelo recurso à figura da fronteira de possibilidades de produção, que traduz as combinações de dois bens ou serviços alternativos que maximizam a eficiência produtiva de uma determinada entidade económica.

Aprofundando o conceito de custo de oportunidade

Na sua essência, o custo de oportunidade de passar de D para C é a manteiga de que se prescinde para produzir espingardas adicionais. Neste exemplo, o custo de oportunidade de 3.000 espingardas adicionais é de 1 milhão de quilos de manteiga perdida. Porém, além dos custos financeiros, facilmente medidos pelos contabilistas, os economistas preocupam-se com outros custos com impacto no bem-estar social. Passando de D para C o país seguiu uma política armamentista, de aumento da produção de mais bens militares, sacrifica oportunidades perdidas de produção de bens civis. A generalidade das pessoas sente benefícios no seu bem-estar se forem produzidos mais bens, mas provavelmente não sentirão qualquer acréscimo de bem-estar se forem produzidas mais espingardas, pelo que o custo de oportunidade em termos económicos terá sido muito superior ao estritamente financeiro.

Outro exemplo. Os promotores da Cidade SONAE argumentam que o investimento de 125 milhões de euros criará mais 1.800 postos de trabalho, dinamizando a economia. Um grupo de pessoas, com expressão no Facebook tem-se manifestado contra este projecto, argumentando que Sintra já tem betão a mais, precisando de mais espaços verdes e sociais para ser um local mais aprazível para viver. Evidentemente que o economista consideraria as receitas monetárias como uma medida muito restrita do custo de oportunidade. Para contemplar as oportunidades perdidas, deveríamos questionar os efeitos da densificação da construção no sopé da serra de Sintra, verificar em que medida prejudica o Parque Natural na perda de vida selvagem, considerar o aumento do trânsito, do ruído, da poluição, da degradação do aspecto aprazível do lugar para os visitantes, e da qualidade de vida dos residentes. É uma tarefa bastante exigente calcular o custo de oportunidade quando pretendemos abarcar toda a complexidade dos problemas reais.

1. Explicita o conceito de custo de oportunidade. Ilustra-o referindo dois exemplos.

2. Utilizando o conceito de custo de oportunidade, confronte a hipótese de terminar o Ensino Secundário aos 17 anos com a alternativa de o terminar mais tarde.

3. Compare o custo de oportunidade associado às aulas num colégio privado relativamente a uma escola pública.

4. Observe que a fronteira de possibilidades de produção apresenta os pontos em que é máxima a eficiência da economia na produção de espingardas e manteiga.
4.1. Explique porque não são alcançáveis pontos exteriores, como I.
4.2. Explique porque são ineficientes pontos interiores, como U.
4.3. Calcule o custo de oportunidade de produzir mais 3 milhares de espingardas quando passa de C para A. Justifique.

5. Explique porque muitas vezes é difícil calcular o custo de oportunidade associado às decisões políticas ou à construção de infraestruturas.

A Unidade do Social



Para Georges GURVITCH, as diversas Ciências Sociais (e Humanas) representavam «o estudo dos esforços colectivos e individuais mediante os quais a sociedade e os homens que a compõem se criam ou produzem eles mesmos. (...) O que caracteriza todas as Ciências do Homem — acrescentava aquele sociólogo — é que a realidade por elas estudada é uma só: é a condição humana considerada sob uma certa luz e tornada objecto de um método específico». Não será muito convincente, decerto, a definição das Ciências Sociais como «o estudo dos esforços colectivos e individuais,...»; e o designar de «condição humana» a «realidade» estudada por todas as Ciências do Homem tem seguramente de entender-se em relação com todo um contexto de discussões filosóficas e humanísticas, no qual a Sociologia europeia se encontrou fundamente empenhada, desde antes da I Guerra Mundial até aos começos da década 60. Das citadas asserções de GURVITCH, retenhamos porém unicamente a ideia, que é correcta, de uma unidade sob a diversidade (ou diferenciação) das disciplinas, unidade que exprime a da própria realidade, que «é uma só».

Já algures notámos que, desde Marcel MAUSS, essa unidade do objecto real das Ciências Sociais começou a ser reconhecida com base na noção de fenómeno social total. Deixaremos, uma vez mais, para outra ocasião o esclarecimento aprofundado deste conceito, e fixaremos apenas que ele foi acolhido em reacção contra uma ideia, que antes (mas não por alguns dos grandes precursores da Sociologia, como A. COMTE e K. MARX) era comummente aceite: a de que a cada uma das Ciências Sociais caberia investigar um distinto campo do real, isto é: um conjunto de fenómenos reais perfeitamente separados ou separáveis de quaisquer outros. A Economia ocupar-se-ia da realidade económica (ou dos fenómenos económicos), a Sociologia da realidade social (ou dos fenómenos sociológicos), a Demografia, da realidade demográfica (ou dos fenómenos demográficos) a Ciência Política, da realidade política (ou dos fenómenos políticos), etc. Diferentes códigos de leitura do real, ou objectos científicos.

Cada Ciência Social, como toda outra Ciência, constrói, produz activamente, o seu próprio objecto científico, e que é construindo-o, e reproduzindo-o metodicamente ao longo do tempo, que historicamente se configura, singulariza e destrinça das demais. De facto, todo o conhecimento científico é construído, inclusive o saber cada Ciência sobre e com que objecto científico opera, depois de, dentro de si mesma, o haver elaborado. Este objecto teórico tem características diferentes do objecto real.

À concepção dos objectos científicos separados opõe-se agora a de que, no domínio do humano e do social, não existem campos de realidade e fenómenos que dessa forma se distingam uns dos outros, como se fossem compartimentos estanques: o campo da realidade sobre o qual as Ciências Sociais se debruçam é, de facto, um só (o da realidade humana e social) e todos os fenómenos desse campo são fenómenos sociais totais, quer dizer: fenómenos que — seja na sua estrutura própria, seja nas suas relações e determinações — têm implicações simultaneamente em vários níveis e em diferentes dimensões do real-social, sendo portanto susceptíveis, pelo menos potencialmente, de interessar a várias, quando não a todas as Ciências Sociais.

A fim de melhor clarificar este ponto, podemos tomar um exemplo. Seja, pois, o das classes sociais. As classes sociais têm sido objecto de inúmeras investigações sociológicas, como elementos estruturais e estruturantes basilares, que efectivamente são, de certo tipo de sociedades. Interessam, por conseguinte, à Sociologia.

Mas só à Sociologia? Na verdade interessam — ou deveriam interessar — a todas as Ciências Sociais. À Economia, por duas razões. De um lado, a estrutura das actividades e das relações económicas representa, numa dada sociedade, a matriz básica na qual as «situações de classe» se definem e a partir da qual as classes sociais se podem propriamente constituir. Do outro, «mecanismos económicos» tão relevantes como a formação de capital, o esquema da sua utilização, o ritmo de crescimento (e a composição) do produto nacional, a repartição dos rendimentos, o perfil da procura global, resultam de todo um jogo de acções individuais e colectivas, onde cada um dos agentes (indivíduos ou grupos) actua a partir de determinadas posições que, por sua vez, se inserem no (e dependem do) quadro geral das posições, relações e práticas sociais das diferentes classes.

Mas as classes sociais, quando se acham efectivamente constituídas, são forças sociais portadoras de interesses distintos e, quanto a algumas delas, de interesses antagónicos. Poderá, pois, entender-se, explicar-se, a estrutura e a vida política de qualquer sociedade onde forças dessa natureza actuem, se precisamente se abstrair da sua acção, dos seus interesses, dos seus projectos, da sua influência? É evidente que não, e portanto, ao menos por este motivo (mas há outros), as classes sociais também interessam à Ciência Politica.

Interessam igualmente à Demografia, uma vez que as determinantes sociais (natalidade, mortalidade, dimensão média das famílias, idade média em que os indivíduos se casam, etc.) de que dependem a composição e a evolução quantitativas das populações, acusam sensíveis diferenças de classe para classe social.

O que se diz da Demografia, pode dizer-se da Geografia Humana, pois que as classes sociais não se distribuem uniformemente por todo o território ocupado por uma sociedade. A estrutura das classes não é a mesma nas grandes metrópoles, nas pequenas cidades e nas zonas rurais — e varia sensivelmente com as características geo-ecológicas destas últimas, ao mesmo tempo que as influencia de modo muito significativo. Em suma: é perfeitamente possível elaborar uma geografia das classes sociais.

Quanto à Psicologia Social, sabe-se por exemplo que as atitudes, as opiniões, os preconceitos colectivos (sobre temas políticos, sociais, religiosos, morais, raciais, de educação, etc.) que nos indivíduos se manifestam, são em larga medida determinados pela classe social a que pertencem (ou a que aspiram pertencer). Logo, uma Psicologia Social cientificamente válida não pode abstrair da existência de classes sociais.

De resto, nem mesmo a Psicologia individual as pode ignorar. O desenvolvimento psíquico (intelectual e afectivo) do indivíduo e as suas sucessivas reestruturações psicológicas desde a primeira infância não decorrem de uma dinâmica puramente interna, mas de uma permanente interacção com o meio físico, social e cultural. Sendo assim» as diferenças de meio que se encontram associadas a diferenças de classe social intervêm naqueles processos e têm inegáveis efeitos, não somente sobre os níveis e formas de desenvolvimento atingidos pelos indivíduos nas diferentes idades porque vão passando, mas também sobre a estruturação definitiva da sua personalidade e dos seus mecanismos psicológicos (de tal modo que certos psicólogos, como Jean-Claude FILLOUX, admitem a necessidade de se utilizar, em Psicologia, o conceito de «personalidade de classe»).

No que se refere, finalmente, à Linguística, é de supor que não será necessário insistir em que é precisamente ao nível da linguagem que se podem aperceber algumas das mais visíveis expressões das diferenças entre as classes sociais.

Nas Ciências Sociais é necessário um intercâmbio entre os saberes entre as diferentes disciplinas – designado interdisciplinaridade - resultante da complementaridade do conhecimento, para melhor explicar os fenómenos sociais na sua totalidade.

Texto extraído e adaptado de SEDAS NUNES, Questões preliminares sobre as Ciências Sociais Backup

Apresentação: A Escola como Realidade Social

  1. Relacione o conceito de Fenómeno Social Total com a unidade do social. * https://g.co/bard/share/aca0e8bb32d4

  2. Distinga objecto real de objecto científico. * https://g.co/bard/share/157ef2f6f051

  3. Como se justifica a criação de diversas Ciências Sociais se o seu objecto real é o mesmo. * https://g.co/bard/share/7dec29da969f

  4. Recorrendo ao exemplo do desemprego, mostre que da separação dos saberes em diversas disciplinas, decorre necessariamente a interdisciplinaridade como atitude metodológica. * https://g.co/bard/share/b32363e4cac1

  5. Recorrendo a outro fenómeno social apresentado na aula, mostre que também é um FST. * https://g.co/bard/share/6d844b0d046e

  6. Explicite o conceito de interdisciplinaridade. Refira cinco ciências sociais mostrando a sua utilidade na abordagem interdisciplinar das migrações. * https://g.co/bard/share/f9969ed7465c


II
Utilizando os conceitos desta tarefa, constrói no Google Drive uma apresentação com 2 slides, do casamento(ou outro inndicado) como fenómeno social total. Partilha o respectivo link no blogue.

Problemas económicos fundamentais

Seja em nosso quotidiano, seja nos jornais, rádio e televisão, deparamo-nos com inúmeras questões económicas, como:
  • Inflação;
  • Períodos de crise económica ou de crescimento;
  • Desemprego em alguns sectores de actividade;
  • Sectores que crescem mais do que outros;
  • Diferenças salariais;
  • Défices na Balança de Pagamentos;
  • Vulnerabilidade externa;
  • Valorização ou desvalorização da taxa de câmbio;
  • Dívida externa;
  • Desemprego em alguns sectores de actividade;
  • Diferenças de rendimento entre as várias regiões do país;
  • Repartição de rendimentos muito inequitativa entre os factores produtivos;
  • Comportamento das taxas de juros;
  • Défice orçamental;
  • Subida de impostos e taxas sobre os bens públicos.
Esses temas, já rotineiros em nosso dia-a-dia, são discutidos pelos cidadãos comuns, que, com altas doses de empirismo, têm opiniões formadas sobre as medidas que o Estado deve adoptar. Um estudante de Economia, de Sociologia ou de outra área pode vir a ocupar cargo de responsabilidade numa empresa ou na própria administração pública e necessitará de conhecimentos teóricos mais sólidos para poder analisar os problemas económicos que nos rodeiam diariamente.

O objectivo do estudo da Ciência Económica é analisar os problemas económicos e formular soluções para resolvê-los, de forma a melhorar nossa qualidade de vida.

Questão central do estudo da Economia: como afectar recursos produtivos limitados (escassos) para satisfazer “todas” (ilimitadas?) as necessidades da população? Esse questionamento levou a sociedade a repensar os modelos do sistema económico.

Da escassez dos recursos ou factores de produção, associada às necessidades ilimitadas do homem, surgem os chamados problemas económicos fundamentais.
  • Nível de referência Económico - O quê e quanto produzir. Dada a escassez de recursos de produção, a sociedade terá de escolher, dentro do leque de possibilidades de produção, quais os produtos que serão produzidos e as respectivas quantidades a serem fabricadas;

  • Nível de referência Tecnológico - Como produzir. A sociedade terá de escolher ainda quais os recursos de produção que serão utilizados na produção de bens e serviços, dado o nível tecnológico existente. A concorrência entre os diferentes produtores acaba decidindo como serão produzidos os bens e serviços, pois estes escolherão entre os métodos mais eficientes, isto é, aquele que tiver o menor custo de produção possível;

  • Nível de referência Social - Para quem produzir. A sociedade terá também de decidir como seus membros participarão da distribuição dos resultados de sua produção. A repartição do rendimento dependerá não só da oferta e da procura nos mercados de factores produtivos, ou seja, da determinação dos salários, das rendas da terra, dos juros e dos lucros do capital, mas também da repartição inicial da propriedade e da maneira como ela se transmite por herança.
Fonte: http://www.monografias.com/trabajos62/sistema-economico/sistema-economico2.shtml
  1. Refira dois aspectos do seu quotidiano relacionados com os problemas económicos.
  2. Porquê estudar Economia?
  3. Identifique o problema económico fundamental.
  4. Refira como no dia-a-dia o problema da escassez relativamente ao tempo e ao dinheiro afecta diferentemente os jovens e os adultos.
  5. Mostre através de um exemplo, como a produção de um bem tem em Economia implicações importantes a três níveis de referência.