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Relação entre os principais agregados das Contas Nacionais e da Balança de Pagamentos

Apresentação da Balança de Pagamentos

Em Portugal, as estatísticas externas e as contas nacionais financeiras são compiladas pelo Banco de Portugal, e as contas nacionais não financeiras são compiladas pelo INE.

Quer as Contas Nacionais, quer a Balança de Pagamentos determinam os saldos (1) capacidade / necessidade de financiamento da economia e (2) riqueza financeira. A compilação dos agregados de contas nacionais utiliza resultados apurados ao nível das estatísticas externas. Existem resultados do lado das estatísticas externas que são muito relevantes para o apuramento de alguns agregados das contas nacionais, como por exemplo:



- o saldo da Balança Comercial/BB&S (operações com o exterior sobre bens e serviços), equivale à procura externa líquida (X-M). Esta, adiccionada à procura interna (C+G+I), calcula o Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIB), na perspectiva das contas nacionais;

- o saldo da Balança de Rendimento Primário, equivale ao Saldo dos Rendimentos com o Resto do Mundo (SRRM), permitindo apurar o Rendimento Nacional Bruto (dado que RNB=PNB, e PNB=PIB+SRRM);

- saldo da Balança de Rendimento Secundário, saldo das transferências correntes com o exterior. A partir do RNB, permite apurar o Rendimento Nacional Disponível Bruto (RDB = RNB + Transferências correntes recebidas do Resto do Mundo - Transferências correntes pagas ao Resto do Mundo). Subtraindo o consumo calcula-se a Poupança Nacional (Poupança = RDB – DCF).



Apesar da integração metodológica, quando utilizamos dados estatísticos, podemos observar algumas discrepâncias, que começam logo pelas dúvidas na classificação das categorias. Por exemplo, os dados do INE e do BdP diferem logo no cálculo das exportações e das importações, mas essas pequenas rugosidades não colocam em causa a robutez das conclusões a que chegamos com os diversos agregados.

Referências: ESTATÍSTICAS DA BALANÇA DE PAGAMENTOS E DA POSIÇÃO DE INVESTIMENTO INTERNACIONAL- Notas metodológicas * Backup

1. Indique três equivalências entre os agregados das Contas Nacionais e os da Balança de Pagamentos.

2. Verifique as relações acima, publicando uma imagem semelhante às apresentadas, utilizando os dados constantes do PORDATA, referentes a 2016. (Ficheiro de ajuda)

3. Justifique a discrepância observada no cálculo da capacidade/necessidade de financiamento da economia.

4. Partindo da imagem, indica as expressões de cálculo dos seguintes agregados:
a) PIB;
b) RNB;
c) Poupança nacional;
d) Capacidade/necessidade de financiamento nas ópticas da (d1) CN e da (d2) BP.

Formulário de Contabilidade Nacional II

A representação gráfica é uma ferramenta frequentemente utilizada em Economia, porque a visualização da evolução das componentes da Contabilidade Nacional, facilita a interpretação da actividade económica. As taxas de variação nominal, em volume e do preço fornecem informação mais detalhada.

1. Constrói um gráficos com a informação no ficheiro de ajuda para o PIB pela óptica da produção.

2. Comente o gráfico.

3. Para os três principais ramos de actividade integre no seu comentário, o impacto da crise financeira (2008), do programa da Troika (2011) e do confinamento (2020), interpretando as taxas de variação do VAB:
- em valor

- em volume

- do preço

II Parte
RESOLVIDO1995-2021

III Parte
Consultando as Séries Longas para a Economia Portuguesa – 2020, do INE, analise a evolução do VAB, do emprego e da produtividade por sectores de actividade (I, II e III). PREVIEW

Formulário de Contabilidade Nacional



Apresentação Alguns Conceitos do Produto

Ópticas de cálculo do valor da produção:

  • Óptica do Produto permite-nos conhecer o valor do produto por sector institucional e/ou sector da actividade.
  • Óptica do Rendimento permite-nos conhecer o valor atribuído a cada um dos factores intervenientes no processo produtivo.
  • Óptica da Despesa permite-nos conhecer o valor gasto pelos diferentes sectores institucionais.

Óptica do Produto

  • Método dos valores acrescentados:

    PIB pm = Somatório dos Valores Acrescentados + impostos indirectos – subsídios à exploração


  • Método dos produtos finais:

    PIB = Somatório dos consumos finais
Produto Líquido = Produto Bruto – Consumo de capital fixo

Produto Nacional = Produto Interno + Saldo dos rendimentos do trabalho, da propriedade e da empresa com o Resto do Mundo

onde, SRRM:
Saldo dos rendimentos com o Resto do Mundo = Rendimentos recebidos do resto do mundo - Rendimentos pagos ao resto do mundo

Índice de Preços implícitos no PIB = PIB a preços correntes / PIB a preços constantes * 100
Exercício


VAB a preços de base = Somatório dos Valores Acrescentados dos ramos de actividade

PIB a preços de mercado = VAB a preços de base + Impostos líquidos de subsídios sobre os produtos



Óptica do Rendimento

Rendimento Nacional = remunerações do trabalho + excedente do bruto de exploração + impostos líquidos de subsídios sobre a produção e a importação

Rendimento Nacional = Produto Interno Bruto + Rendimentos Primários recebidos do resto do mundo – Rendimentos Primários pagos ao resto do mundo

Rendimentos Primários recebidos do (pagos ao) resto do mundo = Remunerações recebidas do (pagas ao) resto do mundo + Impostos sobre a produção e importação recebidos do (pagos ao) resto do mundo + Subsídios recebidos (pagos) ao resto do mundo + Rendimentos de propriedade recebidos do (pagos ao) resto do resto do mundo

PNB = Rendimento Nacional

PIB a preços de mercado = Remunerações + Excedente Bruto de Exploração/Rend.Misto + Impostos líquidos de subsídios


Rendimento Disponível Bruto

RDB = RDL + Consumo de capital fixo

RDB = PIBpm + Rendimentos primários recebidos do Resto do Mundo - Rendimentos primários pagos ao Resto do Mundo + Transferências correntes recebidas do Resto do Mundo - Transferências correntes pagas ao Resto do Mundo

Capacidade (+) / necessidade (-) líquida de financiamento = Poupança líquida + Transferências de capital líquidas - Formação de capital

Poupança líquida = Rendimento disponível líquido - Despesa de consumo final

Transferências de capital líquidas = Transferências de capital recebidas do Resto do Mundo - Transferências de capital pagas ao Resto do Mundo

Formação de capital = Formação bruta de capital + Aquisições líquidas de cessões de ativos não-financeiros não produzidos - Consumo de capital fixo

Rendimento disponível bruto das famílias = Remunerações dos empregados + Excedente Bruto de Exploração + Rendimentos de Propriedade + Outras Transferências Correntes - Impostos Correntes Sobre o Rendimento, Património, etc. - Contribuições Sociais + Prestações Sociais

Rendimento disponível dos particulares = Remunerações do trabalho + Transferências internas + Transferências externas + Rendimentos de empresa e propriedade - Impostos directos - Contribuições para a Segurança Social



Óptica da Despesa

Procura Interna = Consumo Privado + Consumo Público + Investimento

Investimento = Formação Bruta de Capital Fixo + Variação de Existências

Procura Externa = Exportações de bens e de serviços

Procura Global = Procura Interna + Procura Externa

PIB pm = Procura Global - Importações

PIB pm = Consumo Privado + Consumo Público + Formação Bruta de Capital Fixo + Variação de Existências + Exportações - Importações



Isto é:

Despesa de consumo final = Despesa de consumo final das famílias residentes + Despesa de consumo final das ISFLSF + Despesa de consumo final das administrações públicas

Formação bruta de capital = Formação bruta de capital fixo + Variação de existências + Aquisições líquidas de cessões de objectos de valor

Procura interna = Despesa de consumo final + Formação bruta de capital

Procura externa líquida = Exportações de bens (FOB) e serviços - Importações de bens (FOB) e serviços

PIB a preços de mercado = Procura interna + Procura externa líquida

Note ainda que:

Despesa Interna = PIBpm

Despesa Nacional = PNBpm

Outros formulários de Contabilidade Nacional


FICHEIRO: CONTAS NACIONAIS ANUAIS (BASE 2016) 2020 (final) e 2021 (provisório), 23 de Setembro de 2022 * DRIVE * INE

FICHEIRO: CONTAS NACIONAIS ANUAIS (BASE 2016) 2021 (final) e 2022 (provisório), 22 de Setembro de 2023 * DRIVE * INE

1. Consultando o ficheiro acima, (ou apenas estas 3 folhas) apresenta graficamente para 2022, os pesos das diversas componentes do PIB e as fórmulas que as relacionam:

a) PIB a preços de mercado pela óptica da produção - Quadro A.1.4.4.1.

b) PIB a preços de mercado pela óptica do rendimento - Quadro A.1.3.4.1.

c) PIB a preços de mercado pela óptica da despesa - Quadro A.1.2.5.1.

2. Indica as fórmulas da Contabilidade Nacional integradas em:
a) 1. a)
b) 1. b)
c) 1. c)

3. Construindo um Gráfico conveniente:
a) Analisa os sectores de actividade que mais contribuíram para o PIB.
b) Analisa a repartição do rendimento.
c) Analisa a importância das diversas componentes da despesa no PIB.

4. Explica a utilidade de calcular o mesmo agregado de três modos diferentes.



PREVIEW2019 * Preview2021 * Preview1995-2022 * Preview2022

Conceitos necessários à Contabilidade Nacional

Consultando a apresentação, responde às questões abaixo.

1. Define sector institucional.

2. Caracteriza os sectores institucionais do total da economia. Explica a necessidade de constituição destas categorias.

3. Explica o conceito de território económico. Refere a sua importância na definição do PIB.

4. Distingue unidade residente de unidade não residente. Refere os turistas e os migrantes.

5. Define ramos de actividade. Justifica a definição de mais ramos de actividade.

II
Completa o ficheiro de ajuda.

História da Contabilidade Nacional

Recursos

  • A informação estatística é um elemento essencial nas sociedades actuais, constituindo um instrumento indispensável para apoio aos mais relevantes processos de decisão, interessando a entidades decisoras públicas e privadas, a agentes políticos, a agentes económicos, a analistas e à comunidade académica, proporcionando também, a todos, uma vivência mais consciente da sua cidadania.
    Política de revisões do Sistema de Contas Nacionais Portuguesas, Base 2011
1. Selecciona os termos adequados, de forma a obter afirmações verdadeiras:

a) A Contabilidade Nacional constitui uma ciência/técnica de descrição da realidade económica.

b) A Contabilidade Nacional (não) tem como objectivo a apresentação das posições e variações patrimoniais.

c) Desde muito cedo, os “príncipes” revelaram interesse na Contabilidade Nacional para determinarem as suas possibilidades em termos de receitas fiscais/despesas sociais, no caso de entrarem em guerra com outros reinos.

d) Os primeiros estudos para a efectivação de um sistema de Contabilidade Nacional são anteriores/posteriores à II GGM.

e) A partir de 1959 os conceitos de CN começaram a alargar-se aos fluxos monetários/reais.

f) O sistema actual das Contas Nacionais portuguesas designa-se SCNP95/SEC2010.

g) O SCNP95 separa as contas financeiras das contas não financeiras, cabendo o cálculo das primeiras ao Banco de Portugal/INE e as segundas ao Banco de Portugal/INE.

h) Os valores das contas nacionais passam por várias versões, desde a preliminar à definitiva, passando pelas versões provisórias/rascunho e semi-definitivas/semi-provisórias.

i) O território económico/social das CN portuguesas incluiu o Continente, e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

j) Os agentes económicos/as unidades institucionais características da CN são as unidades residentes, que têm centro de interesse no território nacional.

k) Entende-se por centro de interesse o facto de efectuarem operações económicas por um período superior a um ano/trimestre no território nacional.

l) A CN de um país deve ter em consideração a actividade económica dentro do território e a actividade económica que resulta do contributo das unidades (não) residentes.

m) O produto interno/nacional corresponde ao obtido dentro de um território económico.

n) O produto interno/nacional corresponde ao obtido à custa de factores de produção pertencentes às unidades residentes.



2. Identifica os sectores institucionais - que agrupam as unidades institucionais - referidos de (A) a (F) (pp. 5-6) com os agentes económicos que já conheces.

3. Explicita três aspectos importantes para garantir a transparência no processo de produção e difusão das estatísticas oficiais, referidos na Política de revisões do Sistema de Contas Nacionais Portuguesas, Base 2011. * Backup

Apresentação

https://docs.google.com/document/d/1GjOYEM4_YVoyRvfYylSeB4gREE9CuAZpoDWpsr535Os/edit?usp=sharing

Do sonho dos economistas, resta a plataforma de pensamento

Paralelamente ao desenvolvimento da informação económica, designadamente dos sistemas de contabilidade nacional, os economistas acreditam ter descoberto a receita para controlar os ciclos económicos a curto prazo, através do modelo keynesiano, que se tornou relevante para o estabelecimento da política económica.


Em 1950-1975 registou-se um esforço para unificar o debate económico e social em torno de uma linguagem comum (plano, macroeconomia keynesiana, crescimento, contabilidade nacional, sociologia das desigualdades sociais e dos seus indicadores estatísticos, negociações colectivas apoiadas pelo Estado entre o patronato e os sindicatos, sobre os salários inscritos nas grelhas convencionais, sistema redistributivo e protecção social). Foi igualmente criada uma linguagem antes inexistente, relativamente coerente, pela via do vocabulário e das ferramentas estatísticas.

Os indicadores económicos passam a integrar-se na rede das representações comuns, e então, deste ponto de vista tornam-se realidades. De facto a realidade de um objecto depende da extensão e da robustez da rede mais larga dos objectos na qual está inscrito. Esta linguagem foi difundida através das universidades, e depois no ensino secundário.

No fim dos anos 1970, as redes de equivalência conduziram às de totalizações políticas e estatísticas demolindo-se a si mesmas parcialmente. O plano tinha menos peso em si que como um lugar de diálogo e de previsão a médio prazo das grandes decisões públicas. Os modelos econométricos simulam as evoluções das relações entre os objectos macroeconómicos e macrossocializam os objectos mais centrais do sistema de totalização sendo frequentemente julgados incapazes de prever as tensões e as crises. NINGUÉM CONSEGUIU PREVER A CRISE DE 1973... E AOS OLHOS DE TODOS FICOU EVIDENTE QUE OS MODELOS NÃO PASSAVAM DE REPRESENTAÇÕES...

A paragem do crescimento tornou mais difícil a reunião dos parceiros sociais para debaterem os efeitos da crise, que a divisão dos benefícios.
Nas economias abertas não funcionam os modelos keynesianos, válidos nas autarcias, porque o aumento da procura se reparte pelo mundo.
Hoje, a acção do Estado é menos voluntariosa e macro-económica, e mais orientada para a produção de regras facilitadoras do livre jogo do mercado e da concorrência.
As empresas são menos frequentemente geridas de modo centralizado segundo os princípios taylorianos e fordistas que, em favor da padronização das tarefas e dos produtos de grande consumo, se prestavam bem à construção de sistemas integrados de estatísticas industriais.
A plataforma de pensamento disseminado, é (talvez) ainda a única, que nos permite discutir e pensar o mundo social...

Porque é que se mede a economia?

Qualquer sistema de contas nacionais consiste num conjunto coerente, consistente e integrado de contas macroeconómicas, nas folhas de balanço e nas tabelas baseadas num jogo de conceitos, de definições, de classificações e de regras internacionalmente acordadas. Fornece uma estrutura detalhada da contabilidade na qual os dados económicos podem ser compilados e apresentados num formato que seja projectado para finalidades de análise económica, exame das decisões e fundamentação da política económica. As contas fornecem um registo compreensivo e detalhado de actividades económicas complexas que ocorrem dentro de uma economia e das interacções entre os diferentes agentes económicos, e grupos dos agentes, que ocorra nos mercados ou noutro lado.


Utilizando os recursos abaixo, responde às seguintes questões:

1. - O que é que a Contabilidade Nacional mede?

2. - Porque é que se mede a economia?

3. - Porque é importante saber o que é o PIB?

4. - O que é o PIB?

5. - Como se calcula o PIB?

6. - Até que ponto é o PIB representativo da actividade económica?



Recursos

Uma resposta

Texto do FMI: Gross Domestic Product: An Economy’s All

Texto do INE: Como se Calcula o PIB

Texto de Carlos Coimbra: Como se calcula o PIB