Exame de Economia A - Prova 712

Já sabem que é necessário indicar a versão da prova, apenas podem escrever a azul ou preto, e não podem utilizar corrector.
Não é permitido o uso de calculadoras gráficas, nem das alfanuméricas ou programáveis. Apenas são admitidas calculadoras científicas.

Para mais detalhes leiam as INSTRUÇÕES DE REALIZAÇÃO E CRITÉRIOS GERAIS DE CLASSIFICAÇÃO no IAVE.

Rendimento disponível dos particulares - 2018

O rendimento pessoal engloba o total das receitas, ou dinheiro, recebido por um indivíduo, ou família, durante um dado período de tempo (normalmente um ano). As principais componentes do rendimento são receitas provenientes do trabalho (salários), da propriedade (rendas, juros e dividendos), as transferências internas (subsídios atribuídos pelo Estado) e as transferências do exterior (como as remessas de emigrantes).

Os impostos directos são aqueles que atingem imediatamente o sujeito com capacidade contributiva, pressupondo a existência de uma pessoa, de um património ou de um rendimento (IRC; IRS; IMI). Os impostos indirectos tributam a despesa (como o IVA e o ISP).

As quotizações sociais ou contribuições sociais distinguem-se dos impostos porque têm uma finalidade específica, não sendo por isso incluídas no Orçamento de Estado, mas geridas pela Segurança Social, "um sistema que pretende assegurar direitos básicos dos cidadãos e a igualdade de oportunidades, bem como, promover o bem-estar e a coesão social para todos os cidadãos portugueses ou estrangeiros que exerçam actividade profissional ou residam no território".

Os Estados cobram impostos e atribuem subsídios (abonos de família, subsídio de desemprego, rendimento social de reinserção, pensões, reformas) em situações específicas que ocasionam particular carência de recursos. O objectivo desta redistribuição do rendimento é atingir uma repartição de rendimentos mais justa que a repartição primária.

Se ao rendimento pessoal deduzirmos os impostos directos e as contribuições sociais, ficamos com o rendimento pessoal disponível, que é o que as famílias têm para gastar. É este conceito de rendimento que é importante para as decisões económicas dos consumidores, determinando o montante que podem consumir ou poupar. A taxa de poupança indica a percentagem do rendimento disponível que não foi canalizada para o consumo.

Observa-se uma maior estabilidade do consumo em bens não duradouros, que correspondem a cerca de 90% do consumo privado. Os bens de consumo duradouros são aqueles cuja despesa é mais facilmente adiada em momentos de crise.

1. Distingue rendimento pessoal de rendimento pessoal disponível.

2. Distingue impostos directos de impostos indirectos.

3. Distingue as contribuições para a segurança social dos impostos.

4. Explica porque motivo a despesa em bens não duradouros é a parcela mais estável do consumo.

5. Utilizando o ficheiro de ajuda, calcula:
a) O Rendimento Pessoal;
b) O Rendimento disponível dos particulares;
c) O Consumo privado;
d) A Poupança;
e) A Taxa de Poupança;
f) As Taxas de crescimento das diversas rubricas.

6. Interpreta os cálculos acima efectuados:
a) Em que ano o rendimento disponível dos particulares (RDP) caiu mais;
b) Nesse ano, quais as rubricas cuja queda mais contribuiu para a redução do RDP;
c) Nesse ano, quais as rubricas cujo aumento mais contribuiu para a redução do RDP;
d) Nesse ano, comenta a variação verificada no consumo de bens duradouros;
e) Nesse ano, o significado da taxa de poupança. Como se justifica a queda da taxa de poupança após o final do Programa de Assistência Económica e Financeira (2011-2014, vulgo Troika).

7. Constrói um gráfico que ilustre que: RDP = Consumo de duradouros + Consumo de não-duradouros + Poupança (PREVIEW)
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Salário nominal vs. Salário real – 2018

O salário nominal corresponde ao valor do trabalho expresso em moeda. Calcula-se o seu aumento percentual, como qualquer taxa de variação.



Com a quantia do salário nominal, o trabalhador pode adquirir determinada quantidade de bens e serviços que constitui o seu salário real.

A subida dos salários aumenta o poder de compra - o conjunto de bens que será possível adquirir -, mas o aumento dos preços, medido pela taxa de inflação, reduz a sua capacidade para aquisição dos bens, sendo necessário conjugar os dois efeitos para determinar as consequências sobre o salário real.

Geralmente quer os salários, quer os preços aumentam, por isso acaba por se verificar uma das seguintes situações:


  • Se os salários nominais tiverem um aumento superior ao da taxa de inflação, então o salário real sobe;
  • Se os salários nominais tiverem um aumento semelhante ao da taxa de inflação, então o salário real mantém-se;
  • Se os salários nominais tiverem um aumento inferior ao da taxa de inflação, então o salário real desce.
O salário real mede o poder de compra de um trabalhador expresso em bens e serviços. Calcula-se pelo rácio entre o salário nominal e o índice de preços no consumidor.



No quadro abaixo, lê-se na linha (1) o valor do IPC total para Portugal, tomando 2005 como ano base, de 2005 a 2017. Na linha (2) lêem-se as taxas de inflação e na linha (3) apresenta-se o valor mensal do salário mínimo, cujo aumento percentual se apresenta na linha (4). Para concluirmos se o trabalhador ganhou ou perdeu poder de compra, basta calcular a diferença entre o aumento dos salários e dos preços, que se apresenta na linha (5)=(4-2).



Na linha (6) apresenta-se o cálculo do salário real e na (7) o aumento percentual deste. A diferença entre os valores das linhas (5) e (7) é desprezível no quotidiano, pelo que geralmente ficamos pela operação indicada em (5). Interpretando o salário real, observa-se que no ano em que mais poder de compra perderam, -2,8% em 2012, os 485€ do salário mínimo apenas permitiam adquirir os bens e serviços que se compravam com 417,4 € a preços de 2005.

Para evitar a perda de poder compra, os sindicatos frequentemente reivindicam a indexação dos salários à taxa de inflação, isto é, que os salários subam ao ritmo da inflação. Por exemplo, um salário de 500€ em 2005, que tivesse aumentado (e descido) tanto quanto os preços, em 2017 corresponderia a 596€.



1. Distingue salário nominal de salário real.

2. Explica como o salário real varia com o (1) aumento da salário nominal e (2) a taxa de inflação.

3. Relaciona as expressões “salário real” e “poder de compra”.

4. Indica como se calcula o salário real.

5. Explica o que significa “indexar os salários” à taxa de inflação.

6. Preenchendo o ficheiro de ajuda, de 2005 a 2017:
a) Calcula a taxa de inflação (linha 2);
b) Calcula a taxa de variação do salário nominal (linha 4);
c) Calcula o ganho (+) ou perda (-) do poder de compra pela diferença ente as variações de salários e de preços (linha 5);
d) Calcula o salário real em cada ano, a preços de 2005 (linha 6);
e) Calcula a taxa de variação do salário real (linha 7);
f) Calcula o valor do salário correspondente a 500€ em 2005, admitindo a sua indexação à taxa de inflação (linha 8).

7. Interpretando o ficheiro de ajuda, indica em que ano:
a) Os preços estavam mais baixos;
b) Os preços estavam mais altos;
c) Os preços subiram mais;
d) Os preços subiram menos;
e) Os preços desceram mais;
f) Os preços desceram menos;
g) Os salários reais estavam mais baixos;
h) Os salários reais estavam mais altos;
i) Os salários reais subiram mais;
j) Os salários reais subiram menos;
k) Os salários reais desceram mais;
l) Os salários reais desceram menos;
m) Os salários nominais subiram mais;
n) Os salários nominais subiram menos;
o) Os salários nominais desceram mais;
p) Os salários nominais desceram menos;
q) O salário mínimo de 557€ em 2017, permite adquirir o cabaz de bens e serviços que em 2005 se comprava com _________.

8. Calcula quanto deveria um trabalhador auferir em 2017 para adquirir o mesmo cabaz de bens e serviços que comprava em 2005 com 1.000,00 €.

Dívida Pública e Juros: valores recentes (2018)

O GPEARI, Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério das Finanças, publica as Estatísticas das Finanças Públicas.


Constrói uma apresentação no Google Drive, referindo os seguintes aspectos:
- Evolução do Saldo Global e do Saldo Primário (Quadro 1 das Estatísticas das Finanças Públicas, Estatísticas das Finanças Públicas, Portugal)
- Comparação dos (a) Juros com as (b) Despesas com Pessoal, em percentagem do PIB (Quadro 4, idem)
- Interpretação da Dinâmica da Dívida, conjugando o Quadro 7 com os valores do Saldo Primário (Quadro 1), dos Juros (Quadro 4) e taxa de crescimento nominal do PIB (PORDATA / Taxa de variação)
- Relativizar a dificuldade de Portugal no cumprimento da regra estabelecida para a redução da dívida pelo Tratado Orçamental, indicando mais três países em incumprimento (Quadro 3 das Comparações Internacionais)
- Verificar que Portugal é menos intervencionista que a Área Euro utilizando dois indicadores (outros dois quadros do mesmo ficheiro)
- Quanto gasta, em percentagem do PIB, o Estado em saúde, educação, defesa, e acção e segurança sociais? (PORDATA)
- A utilidade dos valores acima observados, para o conhecimento da economia portuguesa

Cálculo da Taxa de Inflação

NOTA:
Para os mais curiosos fica o link para a explicação desta matéria pelos peritos do INE.     Backup


Definição:
Se Pt é o nível médio de preços corrente e Pt-1 é o nível médio de preços há um ano atrás, a taxa de inflação durante o ano pode ser medida da seguinte forma:

O nível médio de preços é indicado pelo Índice de Preços no Consumidor (IPC). Para este não interessam todos os bens do PIB (por exemplo, não interessam as chapas de ferro, ou o sulfato manganês). Para calcular o IPC define-se um conjunto de bens que se consideram representativos das compras típicas do consumidor médio. As variações desse cabaz de bens serão devidas às variações de preços dos vários bens ao longo do tempo e desta forma se avalia a inflação.
A taxa de inflação pode ser medida de várias formas. Como o IPC é calculado todos os meses, a variação desse índice é a taxa mensal de crescimento. Mas nós habituámo-nos a raciocinar em taxas anuais de inflação. Assim, o crescimento que o índice teve ao longo do ano (por exemplo, de Janeiro de 2007 a Janeiro de 2008, ou de Abril de 2008 a Abril de 2009) chama-se taxa homóloga. Mas esta é muito variável e, além disso, esconde realidades muito diferentes. Por exemplo, uma taxa de 8% pode ser o resultado de uma subida ao longo do ano, ou de uma manutenção do índice com uma subida brusca no fim, ou de uma subida seguida de descida parcial. Por isso, calcula-se uma outra taxa: a taxa média. Esta taxa é a variação percentual da média do índice nos últimos 12 meses em relação à média dos 12 meses anteriores.

1. Explicita os seguintes conceitos associados à taxa de inflação:
a) IPC;
b) Taxa de variação mensal;
c) Taxa de variação homóloga;
d) Taxa de variação média.

2. Indica - consultando o site do INE - os valores da taxa de variação homóloga, em Dezembro de 2017, no Continente, para as seguintes rubricas:
a) Total excepto habitação
b) Total excepto produtos alimentares não transformados e produtos energéticos
c) Total excepto produtos alimentares não transformados
d) Total excepto produtos energéticos
e) Produtos alimentares não transformados
f) Produtos energéticos

3. Indica em que grupo do ponto anterior:
a) Os preços subiram mais;
b) Os preços subiram menos;
c) Os preços desceram mais;
d) Os preços desceram menos.

4. O Índice de Preços pode calcular-se com base constante, isto é, sempre com o mesmo ano base (2011=100 significa que 2011 é o ano base), ou com base móvel. O IPC em cadeia calcula-se tomando como base de cálculo em cada ano t, o ano anterior, t-1.
4.1. Completa a tabela no ficheiro de ajuda com Taxa de Inflação de 2003 a 2017.

4.2. Indica em que ano:
a) Os preços estavam mais baixos;
b) Os preços estavam mais altos;
c) Os preços subiram mais;
d) Os preços subiram menos;
e) Os preços desceram mais;
f) Os preços desceram menos.

4.3. Explicita o conceito de taxa de inflação implícito neste exercício.

4.4. Interpreta para 2017:
a) O Valor do Cabaz;
b) O Índice de Preços no Consumidor com 2011=100;
c) O Índice de Preços no Consumidor em cadeia;
d) A Taxa de Inflação.