Custo de Oportunidade

Na medida em que na realidade económica normal a dotação dos recursos (nomeadamente tempo e rendimento) é limitada, a sua aplicação implica a realização de escolhas entre várias opções alternativas. Por exemplo, uma ida ao teatro implica que, pelo menos simultaneamente, não possamos ir ao cinema, seja por via de uma restrição temporal ou monetária. Um outro exemplo pode ser o de um agente que dispõe de um rendimento de 1000 unidades monetárias. Com esse rendimento ele tem, por exemplo, a possibilidade de realizar uma viagem ou adquirir um automóvel, mas nunca as duas coisas. Neste caso, se fizer a viagem, o automóvel representará o seu custo de oportunidade. Se, em alternativa, adquirir o automóvel, será a viagem a representar o mesmo custo de oportunidade.
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Resumindo. Quando o sujeito económico é forçado a escolher entre uma de duas alternativas, a alternativa que abandonou representa o custo de oportunidade da alternativa que escolheu.

Mais um exemplo: Imaginando que poderias escolher entre uma tarde nas aulas ou uma tarde na praia, ter escolhido vir à escola teve um custo de oportunidade relativamente elevado no caso de gostares de praia ;) Para quem não gosta de praia, nem lhe custa tanto passar a tarde na escola, pois neste caso o custo de oportunidade é relativamente baixo.

Em termos teóricos, o conceito de custo de oportunidade pode ser ilustrado pelo recurso à figura da fronteira de possibilidades de produção, que traduz as combinações de dois bens ou serviços alternativos que maximizam a eficiência produtiva de uma determinada entidade económica.

Aprofundando o conceito de custo de oportunidade

Na sua essência, o custo de oportunidade de passar de D para C é a manteiga de que se prescinde para produzir espingardas adicionais. Neste exemplo, o custo de oportunidade de 3.000 espingardas adicionais é de 1 milhão de quilos de manteiga perdida. Porém, além dos custos financeiros, facilmente medidos pelos contabilistas, os economistas preocupam-se com outros custos com impacto no bem-estar social. Passando de D para C o país seguiu uma política armamentista, de aumento da produção de mais bens militares, sacrifica oportunidades perdidas de produção de bens civis. A generalidade das pessoas sente benefícios no seu bem-estar se forem produzidos mais bens, mas provavelmente não sentirão qualquer acréscimo de bem-estar se forem produzidas mais espingardas, pelo que o custo de oportunidade em termos económicos terá sido muito superior ao estritamente financeiro.

Outro exemplo. Os promotores da Cidade SONAE argumentam que o investimento de 125 milhões de euros criará mais 1.800 postos de trabalho, dinamizando a economia. Um grupo de pessoas, com expressão no Facebook tem-se manifestado contra este projecto, argumentando que Sintra já tem betão a mais, precisando de mais espaços verdes e sociais para ser um local mais aprazível para viver. Evidentemente que o economista consideraria as receitas monetárias como uma medida muito restrita do custo de oportunidade. Para contemplar as oportunidades perdidas, deveríamos questionar os efeitos da densificação da construção no sopé da serra de Sintra, verificar em que medida prejudica o Parque Natural na perda de vida selvagem, considerar o aumento do trânsito, do ruído, da poluição, da degradação do aspecto aprazível do lugar para os visitantes, e da qualidade de vida dos residentes. É uma tarefa bastante exigente calcular o custo de oportunidade quando pretendemos abarcar toda a complexidade dos problemas reais.

1. Explicita o conceito de custo de oportunidade e refere alguns exemplos.

2. Utilizando o conceito de custo de oportunidade, confronte a hipótese de terminar o Ensino Secundário aos 17 anos com a alternativa de o terminar mais tarde.

3. Compare o custo de oportunidade associado às aulas no ensino privado com as do ensino público obrigatório.

4. Observe que a fronteira de possibilidades de produção apresenta os pontos em que é máxima a eficiência da economia na produção de espingardas e manteiga.
4.1. Explique porque não são alcançáveis pontos exteriores, como I.
4.2. Explique porque são ineficientes pontos interiores, como U.

5. Explique porque muitas vezes é difícil calcular o custo de oportunidade associado às decisões políticas ou à construção de infraestruturas.

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