Fundamentos da determinação dos salários

Os economistas tendem a observar o salário real médio que representa o poder de compra de uma hora de trabalho, ou os salários monetários divididos pelo índice de preços que representa a evolução do custo de vida.
A imagem seguinte mostra que os salários reais têm crescido a longo prazo nos Estados Unidos, tendência que podemos extrapolar para a generalidade das economias desenvolvidas.


Os países mais desenvolvidos remuneram melhor os seus trabalhadores, porque na estrutura destas economias o trabalho é mais produtivo. O gráfico construído pelo EuroStat mostra que nos países mais desenvolvidos uma parte importante dos custos do trabalho, além dos salários, são as contribuições sociais.



As pessoas não podem migrar livremente, estando a actual crise a reerguer políticas proteccionistas de controlo da emigração. Além disso encontram-se condicionadas pelos obstáculos culturais que resultam da vida familiar. Os economistas predizem que quanto maior for a liberdade de circulação, tanto menos acentuada será a disparidade ao nível dos salários reais, porque as pessoas se deslocariam dos locais onde são menos produtivas, e pior remuneradas, para onde possam ser mais produtivas, e melhor remuneradas, atenuando as disparidades salariais.

Centrando a análise a nível interno podemos observar as diferenças salariais como o resultado de (1) diferenciais de compensação, da (2) qualificação do trabalho e da (3) segmentação de mercados em grupos não concorrentes, como explica Samuelson.








A acção sindical procura monopolizar a oferta de trabalho com o objectivo de obter ganhos salariais acrescidos para os trabalhadores sindicalizados. Como fica o nível de salários e de emprego para o conjunto da economia? Samuelson explica.





1. Comenta a relação que se verifica entre o PIB per capita e os custos do trabalho, no Gráfico acima.

2. Observando o Quadro 13.3 indica os dois sectores de actividade com:
a) menor salário médio;
b) maior salário médio.

3. Explicita o ponto de vista de Samuelson, que para “explicar as nítidas diferenças salariais entre sectores de actividade e indivíduos”, conclui pela necessidade de analisar as situações de “concorrência imperfeita no mercado de trabalho”.

4. Entre “lavadores de janelas” e “porteiros” qual é a actividade melhor remunerada? Justifica explicitando o conceito de diferenciais de compensação.

5. Um factor importante na justificação das diferenças salariais é a qualificação do trabalho. Define capital humano.

6. Observa a Figura 13.5. Refere-te à importância do (1) nível de escolaridade e dos (2) anos de experiência na determinação do nível de rendimento.

7. Na Figura 13.6 a curva Licenciados/secundário incompleto apresenta quocientes que se aproximam do dobro relativamente à curva Licenciados/secundário completo. Interpreta esta discrepância.

8. “Cada dia na universidade é um investimento em capital humano”. Justifica.

9. Mostra como o desenvolvimento das tecnologias da comunicação permite a alguns privilegiados auferirem de rendimentos astronómicos. Define o conceito de renda económica pura.

10. “A principal razão para uma grande disparidade nos níveis salariais é que os mercados de trabalho são segmentados em grupos não concorrentes”.
Esta segmentação é maior ao nível do pessoal qualificado ou do pessoal indiferenciado? Justifica.

11. Mostra como a educação é um factor de mobilidade do trabalho, proporcionando novas oportunidades às pessoas, designadamente no caso dos imigrantes.

12. Explica em que consiste o desemprego clássico, representado na Figura 13.7.

13. Indica o efeito tendencial da acção dos sindicatos sobre o nível de:
a) salários no sector sindicalizado;
b) salários no sector não sindicalizado;
c) emprego no sector sindicalizado;
d) emprego no sector não sindicalizado.

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Tarefa

Pontos III e IV da Teoria elementar dos preços

Oferta de Trabalho

O mercado de trabalho tem um carácter muito específico, porque devemos continuar a aplicar as leis universais da Economia ao factor produtivo, sem esquecer que as motivações das pessoas não são meramente económicas, mas também de ordem sociocultural e até de afirmação individual. Lê o texto de João César das Neves.







1. “Ao debruçar-se sobre o trabalho, a Economia toma (1) a pessoa humana não só como objectivo mas como (2) meio para esse objectivo.”
Explica se no estudo da oferta de trabalho, João César das Neves, evidencia maior preocupação com as (1) pessoas ou com (2) o resultado do seu trabalho? Justifica.

2. Indica exemplos de factores extra-económicos que deveriam ser considerados numa abordagem completa da oferta de trabalho.

3. Indica as determinantes:
a) potenciais da oferta de trabalho;
b) circunstanciais da oferta de trabalho.

4. A níveis relativamente baixos dos salários a curva da oferta de trabalho é crescente. Justifica.

5. A níveis relativamente elevados dos salários a curva da oferta de trabalho é decrescente. Justifica.

6. Como explica João César das Neves que os mais jovens se sintam menos atraídos pelo trabalho que os seus pais? Justifica.

7. Como explica João César das Neves que os habitantes dos países subdesenvolvidos se sintam menos atraídos pelo trabalho que os europeus? Justifica.

8. Enumera outras questões que afectem a oferta de trabalho, além das já referidas.

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Estruturas de Mercado

Os economistas distinguem quatro modelos teóricos de mercado, que se indicam por ordem decrescente de competição: concorrência perfeita/pura, concorrência monopolística, oligopólio e monopólio. A imagem seguinte conjuga uma apresentação de McConnell e Brue com uma tabela de Francisco Pereira de Moura sintetizando as quatro situações de mercado:



Apresentação

Robert Frank explicita as quatro hipóteses admitidas em concorrência perfeita:
a) As empresas vendem um produto padronizado (homogéneo ou indiferenciado);
b) As empresas são aceitantes de preços, isto é, nenhuma tem poder para os influenciar. Designa-se por atomicidade o facto de qualquer delas ser muito pequena relativamente ao conjunto;
c) Os factores de produção são perfeitamente variáveis a longo prazo;
d) As empresas e os consumidores têm informação perfeita (transparência).




Retomamos Lipsey para comparar a concorrência monopolística, em que se admite a diferenciação nos produtos, com a concorrência perfeita:





A concorrência entre poucas empresas designa-se oligopólio. O caso particular de existirem apenas dois produtores designa-se de duopólio. Monopólio se existir um único produtor.



1. Observando a tabela, distingue concorrência pura de monopólio.
2. Indica as quatro hipóteses admitidas em concorrência perfeita.
3. Critica desenvolvidamente cada uma das quatro hipóteses acima.
4. Distingue concorrência perfeita de concorrência monopolística associando cada uma destas formas de mercado a uma das situações A ou B, acima. Justifica a resposta.

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Elasticidade da procura

A elasticidade da procura - Síntese

A elasticidade mede a sensibilidade do volume da procura a variações dos preços.
O mais comum é considerar-se apenas um bem, relacionando-se a variação percentual da procura com a respectiva variação percentual de preços: a elasticidade procura-preço. A procura pode variar muito (ser elástica) ou variar pouco (ser rígida) em resposta a variações de preços. Por exemplo, podem distinguir-se os bens de luxo dos bens de primeira necessidade.
Relacionando a variação percentual da procura com a variação percentual do rendimento, calcula-se a elasticidade procura-rendimento, podendo concluir se os bens são normais ou inferiores.
Relacionando a variação percentual da procura de um bem com a variação percentual do preço de outro calcula-se a elasticidade cruzada. Esta permite concluir se os bens são sucedâneos, complementares ou independentes.















1. “Qualquer variação da curva da oferta tem efeitos muito diversos que dependem da inclinação da curva da procura.”
Observando as Figuras 10.1 I e II, a primeira com uma procura elástica, a segunda com uma procura rígida, verifica em qual das situações os consumidores se adaptariam melhor à redução da oferta. Justifica.

2. Observa as Figuras 10.2. I e II. Explica porque razão será enganador abordar a questão das elasticidades a partir da representação gráfica das curvas.

3. Explica porque razão a sensibilidade da oferta e da procura a variações de preços não se deve medir com valores numéricos absolutos, sendo mais elucidativo saber as percentagens de variação dos preços dos vários artigos.

4. Apresenta a definição formal de elasticidade procura-preço.

5. Justifique o valor negativo da elasticidade procura-preço recordando a relação da curva da procura.

6. Se os preços subirem, qual será o seu impacto sobre a procura no caso de a elasticidade procura-preço ser:
a) Perfeitamente rígida (e=0);
b) Rígida (0 < e < 1);
c) Unitária (e=1);
d) Elástica (1 < e < infinito);
e) Perfeitamente elástica (e=infinito).

7. Classifica a elasticidade procura-preço de curvas da procura com a configuração de uma:
a) recta vertical;
b) recta horizontal;
c) hipérbole.

8. Que interesse terá para uma empresa monopolista conhecer a elasticidade procura-preço do seu mercado?

9. Distinga bens de luxo de artigos de primeira necessidade recorrendo à elasticidade procura-preço.

10. Define elasticidade procura-rendimento.

11. Distingue bens normais de bens inferiores utilizando a elasticidade procura-rendimento.

12. Interpreta o significado de a elasticidade procura-rendimento ser maior que zero e menor que um.

13. Apresenta a definição de elasticidade cruzada.

14. Recorrendo à elasticidade cruzada, caracteriza:
a) bens substitutos (sucedâneos);
b) bens complementares;
c) bens independentes.

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Teoria elementar dos preços

Apresentação

Combinando as teorias da procura e da oferta, determinaremos os preços de mercado, utilizando a cruz marshalliana, assim designada em homenagem a Alfred Marshall.

Texto Teoria elementar dos preços









A imagem acima ilustra a primeira (aumento da procura) das quatro "leis" da oferta e da procura.

I - Um aumento da procura de um produto (isto é, uma deslocação da curva da procura para a direita) origina a elevação tanto do preço de equilíbrio como da quantidade de equilíbrio das compras e vendas.

II – A diminuição da procura de um produto (isto é, a deslocação da curva da procura para a esquerda) origina um abaixamento tanto do preço de equilíbrio como da quantidade de equilíbrio das compras e vendas.

III – Um aumento da oferta de um produto (isto é, uma deslocação da curva da oferta para a direita) origina a descida do preço de equilíbrio e o aumento da quantidade de equilíbrio das compras e vendas.

IV – A diminuição da oferta (isto é, uma deslocação da curva da oferta para a esquerda) causa a subida do preço de equilíbrio e a diminuição da quantidade de equilíbrio das compras e vendas.


1. Define preço de equilíbrio.

2. Por que razão há somente um ponto onde o volume da procura é igual ao volume da oferta?

3. Define excesso da oferta.

4. Define excesso da procura.

5. “Os preços baixam quando há excesso da oferta”. Explica o comportamento dos:
a) produtores
b) compradores

6. “Os preços sobem quando há excesso da procura”. Explica o comportamento dos:
a) produtores
b) compradores

7. Observa a figura 7.7. Indica as causas susceptíveis de justificar:
a) um aumento da procura
b) uma redução da procura

8. Observa a figura 8.3. Indica as causas susceptíveis de justificar:
a) um aumento da oferta
b) uma redução da oferta

9. Ilustra no Paint a "lei" da oferta e da procura correspondente aos seguintes casos:

II - Diminuição da procura;
III - Aumento da oferta;
IV - Diminuição da oferta.

II
1 – Mercado dos morangos
2 – Excesso da oferta
3 – Excesso da procura
4 - Aumento da procura
5 - Diminuição da procura
6 – Aumento da oferta
7 – Diminuição da oferta

Aplicação da teoria dos preços ao mercado dos morangos

III
Considere o mercado dos hambúrgueres. Responda cuidadosamente às seguintes questões:
1. O que poderia aumentar a sua procura?
2. O que poderia aumentar a sua oferta?
3. Em mercados concorrenciais o preço de equilíbrio estabelece-se na intersecção da oferta e da procura. Explique o que sucede quando o preço começa por ser muito alto ou muito baixo.
4. Qual seria a consequência do aparecimento de pizzas congeladas a baixo preço no equilíbrio do mercado dos hambúrgueres? Ilustre graficamente este mercado.
5. Muitos jovens trabalham no McDonald’s. Represente graficamente o impacto das pizzas nos salários destes jovens.

IV
Suponha que a procura é dada por QD=600-20p e a oferta por QS=350+30p. Determine o preço e a quantidade de equilibro.

Sugestões

Teoria elementar da oferta



Apresentação

Admite-se na função oferta que o volume da oferta varia em função do preço do respectivo bem, dos preços de todos os outros produtos, do preço dos factores de produção, da tecnologia e dos objectivos/estratégias dos produtores.
Supondo constantes todas as variáveis à excepção do volume da oferta do bem n e do respectivo preço, chega-se então à curva da oferta.

Texto Teoria elementar da oferta






1. Distingue volume da oferta de quantidade realmente vendida.

2. Refere que a oferta varia com os objectivos das empresas, ou estratégias dos produtores.

3. Explica por que razão a oferta de um produto depende do seu preço.

4. Explica o efeito do aumento do preço dos outros produtos sobre o volume da oferta do produto N.

5. Verifica que o aumento do custo dos factores produtivos (trabalho e capital) torna mais caros os produtos nos sectores de actividade que utilizam mais intensivamente o factor produtivo que sofreu o agravamento.
Refere-te ao efeito do aumento do preço do petróleo sobre os diversos sectores da actividade económica.

6. Explicita o impacto do progresso tecnológico sobre o volume da oferta, referindo o seu efeito sobre os custos de produção.

7. Indica as variáveis de que depende o volume da oferta, explicitadas por Lipsey na função da oferta.

8. Explica como se chega à curva da oferta a partir da função oferta.

9. Interpreta a inclinação ascendente da curva da oferta, referindo o incentivo proporcionado pelos lucros.

10. Recorrendo às figuras 8.1 e 8.2 distingue variação da oferta de aumento da oferta.

11. Indica três factores que poderão ter estado na origem do aumento da oferta ilustrado na figura 8.2.



II
Aplica a teoria da oferta ao bem X, construindo uma apresentação com os seguintes 6 slides:

• Indicar as determinantes da oferta – o custo dos factores de produção, a tecnologia e os preços dos outros bens (slide 1)
• Representar graficamente a curva da oferta, justificar a sua inclinação enunciar a lei da oferta (slide 2)
• Relacionar as deslocações ao longo da curva da oferta com a variação do preço do bem, representando-a graficamente (slide 3)
• Relacionar as deslocações da curva da oferta com as alterações nas suas determinantes (slides 4 e 5)
• Diferenciar oferta individual de oferta agregada (slide 6)


Aplicação da teoria da oferta aos morangos

Teoria elementar da procura



Apresentação

Começamos o estudo da procura recorrendo à obra de Richard Lipsey. Admite-se na função procura que o volume da procura varia em função do preço do respectivo bem, do rendimento familiar, dos preços dos outros bens e dos gostos dos consumidores. Supondo constantes todas as variáveis à excepção do volume da procura do bem n e do respectivo preço, chega-se então à curva da procura.

Texto Teoria elementar da procura






Acima, referiu-se sempre a procura dos consumidores por um determinado bem, isto é a procura individual analisada em microeconomia, para explicar o comportamento dos agentes económicos. Porém, quando analisamos o comportamento das economias nacionais, objecto da macroeconomia, interessa considerar a procura dos vários agentes económicos (famílias, empresas e estado) pela globalidade dos bens, em função do nível dos preços. Esta perspectiva conduz ao conceito de procura agregada, útil para avaliar, por exemplo, o impacto do aumento da procura sobre o nível geral dos preços, o nível de produção, rendimento e emprego.



Enquanto a procura individual é geralmente assinalada pela letra "D" (de Demand), a procura agregada é assinala-se com "AD" (de Aggregate Demand). A procura agregada obtém-se por soma horizontal das procuras individuais.




1. Distingue volume da procura de quantidade adquirida ou quantidade realmente comprada e vendida.

2. “O volume da procura é um fluxo”. Explicita o significado desta afirmação.

3. Indica as variáveis de que depende o volume da procura, explicitadas na função da procura.

4. Explica por que razão o volume da procura varia inversamente com o preço do bem.

5. Explica como se chega à curva da procura a partir da função procura.

6. Interpreta a inclinação descendente da curva da procura.

7. Descreve o efeito ilustrado na curva da procura agregada (AD), quando se passou do ponto (P1, Y1) para (P2, Y2).

8. Identifica a situação e descreve um possível efeito ilustrado em cada uma três imagens abaixo.



II
Aplica a teoria da procura ao bem X(*), construindo uma apresentação com os seguintes 6 slides:
• Explicar como as determinantes da procura – o rendimento, as preferências dos consumidores e os preços dos outros bens, sucedâneos ou complementares – influenciam o volume da procura (slide 1)
• Representar graficamente a curva da procura, justificar a sua inclinação enunciar a lei da procura (slide 2)
• Relacionar as deslocações ao longo da curva da procura com a variação do preço do bem, representando-a graficamente (slide 3)
• Relacionar as deslocações da curva da procura com as alterações nas suas determinantes, representando-as graficamente (slides 4 e 5)
• Diferenciar procura individual de procura agregada, mostrando a última como soma horizontal de n procuras individuais (slide 6)
(*) Escolhe um bem X concreto, bem como um sucedâneo e um complementar, para esta tarefa.


Aplicação da teoria da procura aos morangos