A Economia como Ciência Social

A Economia analisa a dimensão económica da realidade social, constituindo os fenómenos económicos uma abstracção dessa realidade (Manual, pp. 29).

  • Uma coisa é a economia enquanto um processo social, que compreende as relações quotidianas concretas e complexas que os homens estabelecem entre si para assegurar suas condições materiais de existência. Outra coisa é o estudo que se faz desse mesmo processo social. Apenas para fins didácticos, pode-se convencionar que o processo económico é a economia (com ―”e” minúsculo, o seu objecto real) e o estudo sistemático dele, uma ciência, é a Economia (com ―”E” maiúsculo, o seu objecto científico). Com o que lida, então, a Economia?

    Qual o seu objecto?

    Embora aparentemente a resposta seja simples, não é. A ponto de haver uma anedota em que se afirma que num debate envolvendo dois economistas, as respostas para uma mesma pergunta costumam ser em número superior a duas; ou seja, um economista não se entende nem consigo próprio...

    Preconceitos à parte, é possível compreender que não há problema nenhum em um cientista social, como é o caso do economista, ter mais de uma resposta para um mesmo problema, pois no interior de uma mesma ciência podem haver escolas de pensamento divergentes, permitindo diferentes explicações para um mesmo fenómeno.

    Assim encarado, o facto de dois economistas oferecerem diversas respostas para uma mesma pergunta revela o seu conhecimento de múltiplas abordagens de um mesmo assunto, enriquecendo-o e permitindo atacar o problema em questão a partir de diversos flancos.

    Mas onde fica a objectividade?, poderão perguntar alguns. No mesmo lugar de onde nunca deveria ter saído no campo das ciências sociais, área de pesquisa em que o objecto real estudado é o ser humano em sociedade, um ser que pensa e cria, não sendo, portanto, passível de observação laboratorial como as reacções químicas ou os fenómenos físicos. Quando se diz: ―todo objecto lançado para cima retorna ao solo, estamos afirmando a inexorável lei da gravidade, que nunca falha. Quando se diz: ―mantida constante a oferta, se a procura por uma mercadoria aumentar, o preço subirá, estamos utilizando as Leis da oferta e da procura, que de facto falham em muitas circunstâncias.

    Por quê? Porque o ser humano, como consumidor ou produtor (ou, em outras palavras, como agente económico), não age sempre da mesma maneira diante das situações e dilemas que a luta pela sobrevivência lhe impõe. Apesar disso, é possível traçar um perfil típico dos seres humanos no seu comportamento económico. É isso que faz a Economia: cria tipos ideais, como o consumidor racional (que paga maior preço por produtos mais escassos e vice-versa) e o produtor racional/ganancioso (que produz mais estimulado por maiores preços). A partir desses tipos, a Economia monta os seus modelos (sistemas estilizados de raciocínio que procuram representar a realidade, que constituem o seu objecto científico), que jamais poderão chegar à exactidão obtida pela Química e por outras Ciências Naturais, que explicam factos demonstráveis a partir de experiências laboratoriais capazes de captar leis que se repetem sempre que reunidas determinadas circunstâncias, enquanto frequentemente pretendemos aplicar a realidades novas e apenas parcialmente conhecidas, as Leis da Economia. Sem compreender esse facto não pode haver esperança de que os economistas sejam perdoados pelas suas divergências e falhas nas previsões.

    Na medida em que se compreende qual o objecto da Economia e se adquire clareza de que ela é uma ciência social e não uma ciência exacta, como muitos pensam ser, devido à sua possibilidade de quantificação dos fenómenos com que lida (trata-se da ciência não exacta com maiores possibilidades de recorrer a técnicas quantitativas para se exprimir), torna-se mais fácil perceber os limites e possibilidades dessa que é, actualmente, fonte de um tipo de conhecimento dos mais úteis, desejáveis e, em muitos casos, perigosos.

    Como, vivendo em sociedade e dependendo uns dos outros, os indivíduos conseguem gerar e dividir entre si os bens e serviços necessários ao seu bem-estar social? Esta é a pergunta a que a Economia procura responder. Como as condições objectivas nas quais os homens se envolvem para produzir e distribuir os bens e serviços são mutáveis e diferentes de região para região geográfica, é de se esperar que a Economia tenha que se manter viva e adaptável para não perder a sua pertinência. Apesar disso, ela mantém uma coerência interna quando não se desvia de seu objecto: a eterna necessidade humana de evitar que a escassez elimine a vida ou a torne demasiadamente pouco apreciável.

    Texto Adaptado de PARA ENTENDER A RIQUEZA, Uma introdução à cultura económica


1. Explica porque é que o estudo dos fenómenos económicos constitui uma abstracção da realidade.

2. Justifica a multiplicidade de possíveis “soluções” para o mesmo “problema económico”.

3. Distingue o objecto real do objecto científico da Economia.

4. Justifica a interdisciplinaridade (mensagem anterior) como atitude metodológica, referindo a utilidade da Economia e de três outras ciências sociais para o estudo de um dos seguintes fenómenos:
- desemprego;
- migrações;
- insucesso escolar;
- emancipação feminina;
- corrupção;
- desenvolvimento.

Recursos sobre Economia Portuguesa





VÍDEOS
IMPORTANTE: O texto baseado nos vídeos deverá mostrar que provém dos mesmos, assinalando entre parêntesis o momento das passagens. Exemplo de 260 palavras escritas a partir de um vídeo de 15 minutos.

Programa de Economia A

10º ANO
Módulo Inicial – Actividades de diagnóstico e de integração dos alunos
I – INTRODUÇÃO
1. A actividade económica e a Ciência Económica
II – ASPECTOS FUNDAMENTAIS DA ACTIVIDADE ECONÓMICA
2. Necessidades e consumo
3. A produção de bens e de serviços
4. Comércio e moeda
5. Preços e mercados
6. Rendimentos e repartição dos rendimentos
7. Poupança e investimento

11º ANO
III – A CONTABILIZAÇÃO DA ACTIVIDADE ECONÓMICA
8. Os agentes económicos e o circuito económico
9. A Contabilidade Nacional
IV – A ORGANIZAÇÃO ECONÓMICA DAS SOCIEDADES
10. Relações económicas com o Resto do Mundo
11. A intervenção do Estado na economia
12. A economia portuguesa no contexto da União Europeia


Link para o programa de Economia A no site da DGE/MEC. ***** Backup

Conceitos básicos

Parabéns! Se chegaste aqui já realizaste tarefas suficientes para terminar o Módulo 4!

Mas terminar o Módulo com 10 é diferente de o concluir com 14 ou 16, não é? Como já todos atingiram os objectivos mínimos, esta tarefa destina-se premiar os alunos mais interessados, em função do trabalho desenvolvido, pelo que se admite que uns realizem mais trabalho que outros.

Já ouviste dizer que dinheiro faz dinheiro, certo? Porquê poupar? Quais as alternativas de poupança? Porquê investir? Como investir?

Nesta tarefa, o professor indica-te alguns links para recursos que deverás utilizar na construção de uma Apresentação sobre produtos financeiros, com uma estrutura que tu definirás. Para atingir o 12 sugere-se a realização de 10 slides de um Glossário com 10 termos, visualizando os vídeos que se encontram em http://www.b-a-bes.com:
  1. TAE
  2. TAEG
  3. TAER
  4. SPREAD
  5. FUNDO DE RESGATE / Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF)
  6. EURIBOR
  7. RATING
  8. LIQUIDEZ
  9. DÍVIDA PÚBLICA
  10. DÉFICE ORÇAMENTAL
NOTA: Por favor, tenha em conta que copiar/colar não revela compreensão. Utilize os sites indicados para reescrever os conceitos como os entendeu. Isto dá trabalho, mas só assim poderão ser corrigidos erros. No caso de cópia, o trabalho não será classificado.
Para sua segurança, aconselha-se a inclusão de imagens com capturas de screen, reescrevendo posteriormente os respectivos conceitos.

Para obter uma classificação de 13+, continue a mesma Apresentação, fazendo mais de 20 slides, com os recursos indicados na tarefa Caracterização dos Produtos Financeiros.

A Apresentação deverá ser construída no Google Drive, apresentando um link para a mesma no seu blogue.

INSIDE JOB - A Verdade da Crise


Resumo do documentário
'Inside Job' é o primeiro documentário a fornecer uma abrangente
análise da crise financeira global de 2008, que custou mais de 20 biliões de dólares US, obrigou milhões de pessoas a perderem os seus empregos e casas na pior recessão desde a Grande Depressão (1929), e quase resultou no colapso do sistema financeiro global.
Através de uma pesquisa exaustiva e extensas entrevistas com os principais intervenientes financeiros, políticos, jornalistas e académicos, o filme traça o surgimento de uma indústria irresponsável que tem corrompido a política, a regulamentação e a academia. As cenas foram gravadas nos Estados Unidos, Islândia, Inglaterra, França, Singapura e China.
Fonte: IMDB
Ver Filme

Objectivos
- Perspectivar a influência dos sistemas monetários e financeiros na sociedade.

Conceitos chave
Subprime – Devido ao excedente de moeda nos Estados Unidos, as instituições bancárias começaram a conceder empréstimos de alto risco, que não cobrem o prémio normal, aos chamados clientes NINJA (sem rendimentos, sem emprego e sem património), ficando como única garantia a hipoteca dos imóveis.

Derivados – Os títulos referentes às dívidas sem valor dos clientes NINJA foram reciclados no mercado financeiro pela criação de fundos de investimento com nomes pomposos, ex.: Fundo Estratégico de Investimento Estruturado Gold of America. As empresas de rating foram coniventes porque atribuíram a estes títulos as melhores classificações (AAA).

Lixo Tóxico – Quando descobriram o real valor dos derivados, todos se queriam desfazer do mesmo… eis a crise no seu esplendor.

Recursos

Questões
1 – Esta crise poderia ter sido evitada? Discuta, baseando-se no documentário.
NOTA: Se não assistiu ao documentário, responda a esta questão no final, baseando-se em tudo o que leu.

2 – A opção entre a regulamentação do mercado dos derivados ou não é uma escolha técnica ou política. Justifique.

3 – Discuta a legitimidade de um modelo económico que atribui os lucros aos privados, enquanto os custos são suportados pelos contribuintes.

4 - Partindo da imagem da BBC, explique como a crise aconteceu.

5 - Que ilações retira do primeiro recurso? (Vídeo "Entenda DE VERDADE a crise financeira!")

6 - Que conclui do modo como os mercados reagem e os políticos e economistas se referem a esta entidade?

7 - Comente o vídeo "A austeridade é uma ideia perigosa".
NOTA: Verifique que a austeridade anunciada para todos no Orçamento de 2011, acabou por contemplar um amplo conjunto de excepções aprovadas no final da sua discussão. Esta lista foi construída em 2011, com o Governo de Sócrates. Será que nada se evoluiu, de Sócrates para Passos?

8 - Refira outros aspectos interessantes da crise financeira que não tenham sido abordados nas questões acima.

Adenda

Novo filme sobe o mesmo tema: Demasiado grande para falhar

Índice de Preços no Consumidor (IPC)

Cálculo do Índice de Preços no Consumidor (IPC):

1. Considera-se um conjunto de bens e serviços, o mais alargado possível, de modo que seja representativo do consumo da generalidade da população;

2. Calcula-se a quantidade desses produtos que cada família consome desses produtos, por ano;

3. Determina-se quanto custa o Valor do Cabaz no ano base, VC0;

4. Determina-se quanto custa o Valor do Cabaz no ano que estamos a considerar, VCt;

5. Estabelece-se a relação entre os dois valores do cabaz acima determinados, em termos percentuais:

IPC t/0 = VCt / VC0 * 100


Imagine-se que em 2010 determinado conjunto de bens custava 5.000 euros. E que em 2011 era possível adquirir o mesmo conjunto de bens por 5.150 euros. Então o IPC de 2011, tomando 2010 como ano base é:

IPC11/10=5.150/5.000 * 100 = 103

Isto é, com 103 euros em 2011 adquirimos o mesmo conjunto de bens que em 2010 com 100 euros.

Portanto, a taxa de inflação, crescimento médio dos preços em 2011 foi de 3,0%.

TI11/10 = (IPC11 - IPC10)/IPC10*100

        = (103,0 - 100)/100*100
        = 3,0%



O Índice de Preços no Consumidor (IPC) é utilizado para calcular a Taxa de Inflação.

Ilustração do cálculo da inflação - BCE (EXPOSIÇÃO)