Conteúdos do Módulo 4 - Moeda e Financiamento da Actividade Económica

  • Moeda
    • Evolução: da troca directa à troca indirecta
    • Tipos (moeda-mercadoria, moeda metálica, moeda-papel, papel-moeda e moeda escritural)
    • Funções (meio de pagamento, medida de valor e reserva de valor)
    • As novas formas de pagamento – desmaterialização da moeda

  • Preço
    • Noção
    • Factores que influenciam a sua formação

  • Inflação
    • Noção
    • Formas de cálculo (homóloga e média)
    • Consequências da inflação no valor da moeda e no poder de compra

  • Poupança
    • Noção
    • Destinos (entesouramento, depósitos e investimento)

  • Investimento:
    • Noção
    • Funções (substituição, inovação e aumento da capacidade produtiva)
    • Tipos (material, imaterial e financeiro)
    • Importância do investimento em inovação tecnológica e I&D na actividade económica

  • O financiamento da actividade económica
    • Formas: auto-financiamento (capacidade de financiamento) e financiamento externo (necessidade de financiamento).
    • Financiamento externo – directo e indirecto


Objectivos

  • Caracterizar os diferentes tipos de moeda.
  • Explicitar as funções da moeda.
  • Relacionar as novas formas de pagamento com a evolução tecnológica.
  • Explicitar factores que influenciam a formação dos preços (custo de produção, mecanismo de mercado).
  • Relacionar Índice de Preços no Consumidor (IPC) e taxa de inflação.
  • Distinguir formas de cálculo da inflação.
  • Explicar consequências da inflação.
  • Integrar a variável tempo nas decisões sobre utilização dos rendimentos.
  • Referir os destinos da poupança.
  • Explicar as funções do investimento na actividade económica.
  • Distinguir os diversos tipos de investimento.
  • Justificar a importância económica do investimento em I&D na actividade económica.
  • Distinguir financiamento interno (auto-financiamento) de financiamento externo.
  • Distinguir as diferentes formas de financiamento externo.
  • Relacionar o crédito bancário com o financiamento externo indirecto.
  • Reconhecer o mercado de títulos como uma fonte de financiamento externo directo.


Apresentação

Com este módulo, pretende-se que os alunos caracterizem as funções da moeda e os suportes que esta tem assumido ao longo do tempo. Sendo a moeda utilizada na compra de bens e de serviços, também se pretende que os alunos conheçam factores que condicionam a formação dos preços dos bens e dos serviços, bem como o fenómeno da inflação.

Seguidamente, e no sentido de continuar a ilustrar as diversas actividades económicas, propõe-se o estudo da utilização dos rendimentos na sua vertente da poupança, relacionando-a com o financiamento da actividade económica. Neste contexto, privilegiar-se-á o estudo do investimento, dada a sua grande importância para a economia.

Mapa do Módulo 4

Fundamentos da determinação dos salários

Os economistas tendem a observar o salário real médio que representa o poder de compra de uma hora de trabalho, ou os salários monetários divididos pelo índice de preços que representa a evolução do custo de vida.
A imagem seguinte mostra que os salários reais têm crescido a longo prazo nos Estados Unidos, tendência que podemos extrapolar para a generalidade das economias desenvolvidas.


Os países mais desenvolvidos remuneram melhor os seus trabalhadores, porque na estrutura destas economias o trabalho é mais produtivo. O gráfico construído pelo EuroStat mostra que nos países mais desenvolvidos uma parte importante dos custos do trabalho, além dos salários, são as contribuições sociais.



As pessoas não podem migrar livremente, estando a actual crise a reerguer políticas proteccionistas de controlo da emigração. Além disso encontram-se condicionadas pelos obstáculos culturais que resultam da vida familiar. Os economistas predizem que quanto maior for a liberdade de circulação, tanto menos acentuada será a disparidade ao nível dos salários reais, porque as pessoas se deslocariam dos locais onde são menos produtivas, e pior remuneradas, para onde possam ser mais produtivas, e melhor remuneradas, atenuando as disparidades salariais.

Centrando a análise a nível interno podemos observar as diferenças salariais como o resultado de (1) diferenciais de compensação, da (2) qualificação do trabalho e da (3) segmentação de mercados em grupos não concorrentes, como explica Samuelson.








A acção sindical procura monopolizar a oferta de trabalho com o objectivo de obter ganhos salariais acrescidos para os trabalhadores sindicalizados. Como fica o nível de salários e de emprego para o conjunto da economia? Samuelson explica.





1. Comenta a relação que se verifica entre o PIB per capita e os custos do trabalho, no Gráfico acima.

2. Observando o Quadro 13.3 indica os dois sectores de actividade com:
a) menor salário médio;
b) maior salário médio.

3. Explicita o ponto de vista de Samuelson, que para “explicar as nítidas diferenças salariais entre sectores de actividade e indivíduos”, conclui pela necessidade de analisar as situações de “concorrência imperfeita no mercado de trabalho”.

4. Entre “lavadores de janelas” e “porteiros” qual é a actividade melhor remunerada? Justifica explicitando o conceito de diferenciais de compensação.

5. Um factor importante na justificação das diferenças salariais é a qualificação do trabalho. Define capital humano.

6. Observa a Figura 13.5. Refere-te à importância do (1) nível de escolaridade e dos (2) anos de experiência na determinação do nível de rendimento.

7. Na Figura 13.6 a curva Licenciados/secundário incompleto apresenta quocientes que se aproximam do dobro relativamente à curva Licenciados/secundário completo. Interpreta esta discrepância.

8. “Cada dia na universidade é um investimento em capital humano”. Justifica.

9. Mostra como o desenvolvimento das tecnologias da comunicação permite a alguns privilegiados auferirem de rendimentos astronómicos. Define o conceito de renda económica pura.

10. “A principal razão para uma grande disparidade nos níveis salariais é que os mercados de trabalho são segmentados em grupos não concorrentes”.
Esta segmentação é maior ao nível do pessoal qualificado ou do pessoal indiferenciado? Justifica.

11. Mostra como a educação é um factor de mobilidade do trabalho, proporcionando novas oportunidades às pessoas, designadamente no caso dos imigrantes.

12. Explica em que consiste o desemprego clássico, representado na Figura 13.7.

13. Indica o efeito tendencial da acção dos sindicatos sobre o nível de:
a) salários no sector sindicalizado;
b) salários no sector não sindicalizado;
c) emprego no sector sindicalizado;
d) emprego no sector não sindicalizado.

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Tarefa

Pontos III e IV da Teoria elementar dos preços

Oferta de Trabalho

O mercado de trabalho tem um carácter muito específico, porque devemos continuar a aplicar as leis universais da Economia ao factor produtivo, sem esquecer que as motivações das pessoas não são meramente económicas, mas também de ordem sociocultural e até de afirmação individual. Lê o texto de João César das Neves.







1. “Ao debruçar-se sobre o trabalho, a Economia toma (1) a pessoa humana não só como objectivo mas como (2) meio para esse objectivo.”
Explica se no estudo da oferta de trabalho, João César das Neves, evidencia maior preocupação com as (1) pessoas ou com (2) o resultado do seu trabalho? Justifica.

2. Indica exemplos de factores extra-económicos que deveriam ser considerados numa abordagem completa da oferta de trabalho.

3. Indica as determinantes:
a) potenciais da oferta de trabalho;
b) circunstanciais da oferta de trabalho.

4. A níveis relativamente baixos dos salários a curva da oferta de trabalho é crescente. Justifica.

5. A níveis relativamente elevados dos salários a curva da oferta de trabalho é decrescente. Justifica.

6. Como explica João César das Neves que os mais jovens se sintam menos atraídos pelo trabalho que os seus pais? Justifica.

7. Como explica João César das Neves que os habitantes dos países subdesenvolvidos se sintam menos atraídos pelo trabalho que os europeus? Justifica.

8. Enumera outras questões que afectem a oferta de trabalho, além das já referidas.

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Estruturas de Mercado

Os economistas distinguem quatro modelos teóricos de mercado, que se indicam por ordem decrescente de competição: concorrência perfeita/pura, concorrência monopolística, oligopólio e monopólio. A imagem seguinte conjuga uma apresentação de McConnell e Brue com uma tabela de Francisco Pereira de Moura sintetizando as quatro situações de mercado:



Apresentação

Robert Frank explicita as quatro hipóteses admitidas em concorrência perfeita:
a) As empresas vendem um produto padronizado (homogéneo ou indiferenciado);
b) As empresas são aceitantes de preços, isto é, nenhuma tem poder para os influenciar. Designa-se por atomicidade o facto de qualquer delas ser muito pequena relativamente ao conjunto;
c) Os factores de produção são perfeitamente variáveis a longo prazo;
d) As empresas e os consumidores têm informação perfeita (transparência).




Retomamos Lipsey para comparar a concorrência monopolística, em que se admite a diferenciação nos produtos, com a concorrência perfeita:





A concorrência entre poucas empresas designa-se oligopólio. O caso particular de existirem apenas dois produtores designa-se de duopólio. Monopólio se existir um único produtor.



1. Observando a tabela, distingue concorrência pura de monopólio.
2. Indica as quatro hipóteses admitidas em concorrência perfeita.
3. Critica desenvolvidamente cada uma das quatro hipóteses acima.
4. Distingue concorrência perfeita de concorrência monopolística associando cada uma destas formas de mercado a uma das situações A ou B, acima. Justifica a resposta.

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Elasticidade da procura

A elasticidade da procura - Síntese

A elasticidade mede a sensibilidade do volume da procura a variações dos preços.
O mais comum é considerar-se apenas um bem, relacionando-se a variação percentual da procura com a respectiva variação percentual de preços: a elasticidade procura-preço. A procura pode variar muito (ser elástica) ou variar pouco (ser rígida) em resposta a variações de preços. Por exemplo, podem distinguir-se os bens de luxo dos bens de primeira necessidade.
Relacionando a variação percentual da procura com a variação percentual do rendimento, calcula-se a elasticidade procura-rendimento, podendo concluir se os bens são normais ou inferiores.
Relacionando a variação percentual da procura de um bem com a variação percentual do preço de outro calcula-se a elasticidade cruzada. Esta permite concluir se os bens são sucedâneos, complementares ou independentes.















1. “Qualquer variação da curva da oferta tem efeitos muito diversos que dependem da inclinação da curva da procura.”
Observando as Figuras 10.1 I e II, a primeira com uma procura elástica, a segunda com uma procura rígida, verifica em qual das situações os consumidores se adaptariam melhor à redução da oferta. Justifica.

2. Observa as Figuras 10.2. I e II. Explica porque razão será enganador abordar a questão das elasticidades a partir da representação gráfica das curvas.

3. Explica porque razão a sensibilidade da oferta e da procura a variações de preços não se deve medir com valores numéricos absolutos, sendo mais elucidativo saber as percentagens de variação dos preços dos vários artigos.

4. Apresenta a definição formal de elasticidade procura-preço.

5. Justifique o valor negativo da elasticidade procura-preço recordando a relação da curva da procura.

6. Se os preços subirem, qual será o seu impacto sobre a procura no caso de a elasticidade procura-preço ser:
a) Perfeitamente rígida (e=0);
b) Rígida (0 < e < 1);
c) Unitária (e=1);
d) Elástica (1 < e < infinito);
e) Perfeitamente elástica (e=infinito).

7. Classifica a elasticidade procura-preço de curvas da procura com a configuração de uma:
a) recta vertical;
b) recta horizontal;
c) hipérbole.

8. Que interesse terá para uma empresa monopolista conhecer a elasticidade procura-preço do seu mercado?

9. Distinga bens de luxo de artigos de primeira necessidade recorrendo à elasticidade procura-preço.

10. Define elasticidade procura-rendimento.

11. Distingue bens normais de bens inferiores utilizando a elasticidade procura-rendimento.

12. Interpreta o significado de a elasticidade procura-rendimento ser maior que zero e menor que um.

13. Apresenta a definição de elasticidade cruzada.

14. Recorrendo à elasticidade cruzada, caracteriza:
a) bens substitutos (sucedâneos);
b) bens complementares;
c) bens independentes.

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